16/04/14

Porque há coisas que para mim só fazem sentido assim

Hoje calhei de ler esta entrevista. Tinha ouvido falar no livro e nas dores de cabeça que provocou a alguns pais, fiéis seguidores do Método Estivel (é assim que se escreve?) mas não tive curiosidade suficiente para pesquisar e ler.
Hoje tropecei na entrevista. E gostei. Tanto que estou a pensar comprar o livro.
E acho que só li o texto, porque perdi uns segundos a pensar no título "Bésame mucho, como criar os filhos com amor".
 
Dei por mim a pensar se há outra forma de criar os nossos filhos, sem ser com amor...
 
Ouço vezes sem conta que a Maria é muito mimada. De familiares. De conhecidos. Se me importo? Verdadeiramente? Não.
A Maria é uma criança educada, que tem noção dos limites (dela e dos nossos). É doce. Não é de fazer birras porque sim. Se é mimada? Pois claro que sim. E digo esta parte sem qualquer culpa ou falso moralismo. Quem não gosta de se sentir amado?
Sempre que me apeteceu pegar nela ao colo em bebé peguei (e sim, ouvia o típico "pega nela, pega que vais ver que depois não quer estar deitada e não te deixa dormir". E o mais curioso é que (quase) sempre deixou).
Sempre que me apetece hoje pegar nela ao colo, pego.
Sempre que me apetecia dar-lhe beijos e abraços apertados, dei.
Sempre que me apetece dar-lhe beijos e abraços apertados, dou.
 
E eu já disse que não e cedi depois dela chorar. Não cedo sempre. Mas sempre e nunca são palavras de que não gosto. E já senti olhares recriminadores por fazer cedências. Por estar disposta a negociar se entendo que é importante para ela e se não faz diferença nem mal a ninguém.
E já gritei com ela em momentos em que não devia ter gritado (porque não tem culpa que eu esteja mal disposta) e já lhe poupei uma ou outra reprimenda, apenas porque no momento não me apeteceu ir por ali.
Eu tenho dúvidas. Muitas dúvidas, enquanto mãe. Claro que me pergunto se é certo. Claro que me interrogo quando um comportamento dela sai fora do padrão que espero (como aconteceu ontem, em que me pediu para a ir buscar a casa dos meus tios, quando foi ela a pedir para ir para lá, e deu como única justificação ter saudades).
 
Agora há uma coisa de que não duvido nada. Temos uma relação única. Entendemo-nos bem. Sei o que resulta com ela. Sei que não vale a pena falar torto ou insistir quando é uma coisa que ela não quer. Sei que é boa a negociar e que me ensina muito mais sobre a vida do que aquilo que tenho capacidade para lhe ensinar.
E sei que juntas, temos ainda muito para aprender. 
 

4 comentários:

Ana disse...

A Maria é sem dúvida uma criança imensamente feliz! e nota-se!Tem muita sorte em ter uma familia que a mima!

Anónimo disse...

Penso exactamente o mesmo. Aminha Maria, é SUPER MIMADA,e adoro! É umamiúda calma,meiga,obediente. Birras,claro que faz,não fosse ela uma criança de 4 anos,mas para mim o mal do Mundo é ter tantas pessoas com FALTA de mimo. Isso sim é que estraga*
Lu Kerr*

Liliane Nunes disse...

Nem mais. Qual o problema de uma criança ser mimada. Ter muito amor, muitos beijos, muito colo? Se soubermos educar uma criança com os limites que achamos que devem ter, ensinar determinadas regras porque vivemos em sociedade, saber ceder em determinadas situações e noutras não para o seu bem, qual o problema de serem mimadas? São criancas e precisam de nos. Precisam do nosso amor, atenção e que lhes ensinemos o que precisam. Estarem preparados para a vida não é deixá-los chorar porque tem de aprender a lidar com a frustração um dia. Ter bons valores de base é o mais importante para estarem preparados para a vida. É o que eu acho:) beijinhos patrícia. Tenho a certeza que estarás a fazer um excelente trabalho.

Liliane Nunes disse...

Nem mais. Qual o problema de ser mimada? Qual o problema de ter muitos beijos, muito amor e colinho? A nossa função enquanto pais é dar-lhes toda a atenção, carinho e ensinar-lhes bons valores, ensinar-lhes regras para se viver em sociedade (não podemos fugir a isso), saber ceder ou não consoante a situação e não vivermos de extremos (ser muito rígidos ou só dar amor e não ensinar nada). É saber analisar também as birras deles e perceber se afinal não somos nós pais, que estamos a fazer birra e a bater o pé porque sim. Educar para a vida não é deixá-los chorar porque um dia terão de lidar com a frustração. O importante é terem bons valores de base e tudo o resto quando surgir se resolve. E se forem educadas sem extremos, sem as nossas próprias birras, com muito amor e atenção, saberão lidar com qualquer situação. É a minha opinião. Beijinhos patrícia. E acredito que estas a fazer um excelente trabalho. Tenho o livro que mencionas, assim como tenho o do estivil. E posso dizer-te, após 2 criancas, se tivesse de reler algum deles, seria sem dúvida alguma o bechame mucho:)