Hoje estou triste.
Há amizades que demoram anos a construir e depois de alguns anos de experiência, de levar algumas patadas, criamos resistência, barreiras à entrada de pessoas na nossa vida. Passamos a jogar à defesa.
Porque é fácil pensar que o mundo está cheio de pessoas más (e está mesmo!) e depois de cair algumas vezes, passamos a usar capacete, joelheiras... tudo o que nos possa proteger.
Se acho que devia ser assim? Não, não acho... Se acho que com esta atitude afastamos da nossa vida pessoas boas, que não permitimos que nos conheçam verdadeiramente? Claro que sim. Mas também nos evita alguns trambolhões. E a decisão de se queremos correr o risco de voltar a cair ou não é delicada.
É assim comigo. Confesso ter dificuldade em permitir a entrada de pessoas na minha vida. Não me entendam mal. Não sou um bicho do mato. Gosto genuinamente de pessoas. Sou socialmente afável. Agora amigos, amigos?! Daqueles com quem podemos contar sempre? Tenho poucos. E até vos digo que desconfio de quem se pavoneia por ter dezenas de amigos incondicionais.
E de repente, quando achávamos que a nossa carapaça era bem dura, há pessoas que entram na nossa esfera privada, na nossa vida, sem sequer darmos conta. E em meses, conquistam o nosso coração e tornam-se nossos amigos.
E hoje uma amiga recente, diria que a amiga mais recente que tenho, perdeu o pai. Recebi a notícia por sms estava a chegar ao escritório e assim que li disse: merda... E li alto ao Filipe a mensagem e já não consegui evitar chorar. Tal como não consigo agora.
Depois de tentar coragem para lhe ligar. De me fechar numa sala de reuniões, para ter a certeza que se chorasse, estava protegida, consegui ligar-lhe para lhe dar um beijinho e dizer que estamos cá. Não consegui dizer-lhe mais nada. E sinto-me estúpida por não lhe ter dito que quando a vi pela primeira vez tive dela uma impressão totalmente errada. E que fiquei muito feliz por descobrir nela um ser humano fantástico. Uma amiga dedicada. Um coração grande. Alguém de bem com a vida.
Sei que ela não nos lê aqui (quer dizer, saber, saber... não sei), mas sei que hoje estou triste, estou a trabalhar mas tenho o coração apertadinho e só conto os minutos que faltam até ao final do dia para que possa estar com ela. Simplesmente estar com ela.
Hoje os meus beijos vão todos para ti amiga S. Sei que estás rodeada de bons amigos (não estou a falar de mim) que ajudarão.
Confesso não conhecer a dimensão da dor que sentes. Não consigo sequer imaginar. Mas cá estarei. Para o que der e vier.
Patrícia














