Princesa,
A mamã sabe que não é habitual escrever-te aqui, com público, e que temos um cantinho só nosso, onde escrevo só para ti (que ainda não me lês). Cantinho esse onde escrevo sem data e hora marcadas, e onde passei a escrever no dia em que soube que eras uma menina, em que tudo se tornou mais real, onde passei a ter menos receio, porque ouvi a palavra mágica, na ecogarfia morfológica: bem... Estava tudo bem contigo! Mas, hoje, não sei porquê, apetece-me gritar ao mundo que te amo!
Acabas de fazer 9 meses e é inevitável que eu pense que são 9 meses a ter-te aqui, e 9 meses em que foste o nosso feijãozinho.. Nunca esquecerei o dia em que soube que estavas na minha barriga. O dia 17 de Março do ano passado foi mesmo especial e ficará para sempre guardado. Depois, foram 9 meses de sobressaltos. Muitos sustos e alegrias. Lágrimas de dor, de receio, de alegria. Um misto de emoções. Que contrastou com a serenidade com que estava no dia antes de nasceres. Sim, o teu parto foi programado (a mamã teve pré-eclâmpsia e diabetes gestacionais, que a isso obrigaram). E no dia anterior, quando achava que iria estar uma pilha de nervos, estava mais serena que nunca. Com a certeza que tudo correria bem. Por saber estar nas mãos da médica em que confiamos, a gravidez e o teu nascimento.
Quanto ao parto... Foram 10 horas. Mas não te assustes meu amor. Porque tudo correu pelo melhor. Foram apenas alguns minutos mais dolorosos, mas graças à milagrosa epidural, a mamã até adormeceu de tão relaxada que estava. Precisaste da ajuda de uma ventosa para nascer... Claro que fiquei assutada quando vi a nossa doutora dizer que íamos precisar de uma ajudinha. É que já eras malandreca na barriga da mamã e ao nascer quiseste deixar claro de que fibra és feita e toca de girar no momento em que estavas já no canal de parto. Colocaste-te de rosto para baixo e no período expulsivo, batias ali em qualquer lado e voltavas a subir.
No momento em que te vi, em que te agarrei pela primeira vez. Senti que nada mais existia. Conheci um amor maior que tudo o que conhecia até então. Percebi que naquele segundo daria a minha vida por ti. Um destes dias, os papás estavam a ver uma reportagem no telejornal sobre mães adolescentes em que a jornalista perguntava à recente mamã, o que tinha sentido quando tinha visto o filho pela primeira vez. E ela respondeu qualquer coisa como, que gostava do filho, como gostava da mãe. Eu e o papá olhamos um para o outro e dissemos em uníssono... Nãooooooo!
É que na verdade não se compara. O amor que sinto por ti não se compara com nada o que tinha sentido até então. É um amor maior que o mundo. Um amor maior que eu. Não tenho sequer forma de explicar-te o quanto te amo.
Tento mostrar-te todos os dias. Até já deves estar farta de ouvir-me dizer-te que amo. Como perceberás um dia, se é que já não percebes, a mamã é muito mais sentimento do que razão. De riso e lágrima fácil, que adora a capacidade que o ser humano tem de se emocionar.
Eu emociono-me sempre que penso com mais calma, abstraindo-me da lufa lufa do dia a dia, no que és para mim. Na dádiva que recebi quando entraste na minha vida.
E sabes princesa, acho que vieste na altura certa. Os papás andaram em tentativas quase 1 ano. Achamos que era muito tempo... Estavamos a desesperar. Mas a verdade é que agora percebo que viste povoar as nossas vidas, enchê-las de amor, na melhor das alturas. Tivemos muito tempo para viagens a destinos mais longíquos, para férias sem data e hora marcada, para fins-de-semana de improviso. E agora temos todo o tempo para ti. Um dia, assim que sejas um bocadinho mais cerscida, esperamos retomar as nossas viagens pelo mundo. Mostrar-te os sítios de que mais gostamos. Conhecer contigo tantos outros.
Hoje és o centro das nossas vidas. Foste uma bebé muito tranquila quando eras recém-nascida. Ainda hoje achamos que não sabes chorar a sério. Como muitas vezes ouvimos outras crianças fazer. Dormes muito bem. Comes muito bem. E és um doce. Com personalidade em forte, mas um doce de menina. As tuas festinhas são o melhor remédio para qualquer dia em que o trabalho corre menos bem. Os teus saltos eufóricos de alegria, dão-nos energia. As tuas gargalhadas fazem-nos sorrir. E é tão bom filha, tão bom...
És reguila, espevitada, cheia de vida e energia. Exiges muito de nós. Atenção e presença a toda a hora e só páras mesmo quando o cansaço te vence e adormeces.
E como adoro que durmas nos meus braços! E dar-te beijos, os nossos beijos, daqueles que não são para mais ninguém!
E hoje, partilho aqui, neste espaço que é público, este amor que sinto por ti, a que chamo maior!
Beijos,
Mamã