08/04/15

Maria a gozona

Dois dias seguidos com 12 horas de trabalho, imensa pressão e eu a chegar a casa para lá de cansada.
Ontem vi que tinha deixado a luz do quarto dela ligada.
 - Maria fecha a luz p.f.
 (ela em surdina) - Sim, sim. Fecho a luz. E daqui a nada vais pedir-me para desligar a porta...

31/03/15

3,2,1...

Voos comprados.
Casa de uma amiga cravada.
Entradas e hotel na terra da magia a serem comprados dentro de momentos.
Férias! Maio vai ser um mês bom. Can´t wait.

30/03/15

um dia...

Um dia quero lembrar-me de como dançaste sem vergonha ao ouvir um concerto no Mercado do Bom Sucesso.
Um dia quero lembrar-me como insististe para que te deixasse ir para o palco, que querias dividir com o músico e como resmungaste porque te disse que não podia ser. E quero lembrar-me que, não satisfeita com a resposta, arrastaste a amiga Rita e foram dançar para trás do palco, numa coreografia muito vossa e que nada tinha a ver com a música cantada.
Um dia, quero recordar, como te lembraste de fazer um desenho e decidiste ir oferecer-lhe no final e da cara de espanto dele ao ver uma mini catraia ir ter com ele, esperar que acabasse a conversa com um e outro familiar e estender-lhe a mão com um desenho e dizer: Toma. Fiz para ti...

26/03/15

ela parece desatenta, mas...

Ontem jantamos as duas. O papá tem trabalhado até tarde esta semana. Ela ajudou-me a por a mesa. Quando nos sentamos, disse-me:
 - Dois pratos, dois copos, duas pessoas... Isto assim não está certo. Falta-nos o papá...
 

18/03/15

o tempo

No carro, o rádio toca normalmente o que quer que esteja a passar na rádio comercial. Ela vai apanhando uma ou outra música. Como música portuguesa, não passa muita, as portuguesas decora-as todas.
E tem calhado ouvirmos algumas vezes O Tempo não para, da Mariza.
 
https://youtu.be/9kmwY1Z3YNY
 
Perguntou-nos uma vez como se chamava a cantora e porque é que era triste aquela música. Conversamos sobre a música e sobre a letra que ela não conseguia entender. Explicamos que a vida corre todos os dias e que nós corremos ao ritmo da vida. E que muitas vezes nos esquecemos do que realmente importa. E que a Mariza percebeu isso bem quando teve um filhote, a quem dedicou esta música. E ela ouviu a música. E reteve a mensagem.
Há uns dias, a mesma música no carro. Deu-me a mão e disse-me: "Que sorte que eu tenho mamã... por tu não seres uma cantora famosa e teres sempre tempo para mim!"
E eu torci-me por dentro. Porque nem sempre tenho tempo. Porque tenho um trabalho exigente. Porque ainda tenho os bolos e as festas que me dão imenso prazer mas que me roubam bastante tempo. Porque ainda na passada semana estive 3 dias longe de casa. E na anterior 2 dias. Acabei por sorrir e dar-lhe um abraço enquanto lhe dizia que para ela teria sempre, sempre tempo. E sorri com mais vontade por sentir que o que ela percebe é que eu tenho tempo para ela. Apesar de todos os apesares.

17/03/15

Maria a encantar desde 2008

Pouco depois do Natal, numva visita à ikea, apaixonou-se por uma cama de menina crescida. Uma cama alta, com uma secretária em baixo. Pediu-me a cama de presente. Expliquei que o Natal tinha passado mesmo há uns dias e que os papás não podiam dar-lhe agora outro presente grande. Sugeri que passasse a juntar as moedinhas lá em casa e que em breve ia poder comprar a cama. E assim foi.
No domingo ao final da manhã, fomos ao ikea ver novamente a cama, se o encantamento se mantinha, ver as medidas da cama e do colchão. O pai ajudou-a a subir para a cama e ela perguntava se podíamos levar já aquela. E soltou suspiros e mais suspiros pela cama e por uma bola de espelhos com iluminação que muda de cor.
 
Viemos sem comprar nada, decididos a pintar as paredes brancas do quarto dela, esta semana (afinal, o pai está de férias). Estão todas riscadas e com desenhos feitos por ela. E combinamos que se tudo correr bem, vamos no fim-de-semana comprar a cama.
Ontem quis contar as moedas que já juntou desde Janeiro. 138.13€.
 
Dissemos-lhe que as moedas dela não chegam para a cama mas para não se preocupar que a cama será presente nosso e que com as moedas compra ela a cadeira cor de rosa com rodinhas e a bola de espelhos e que ainda sobra metade. Ela que já estava a ficar preocupada e perguntava se ia mesmo ter que dar as moedas todas, sorriu.
 
E disse-me, enquanto desenhava num papel a cama, a secretária, a cadeira e a bola de espelhos: "Sabes mamã, quando formos comprar a cama, vou dar-te um presente. Uma coisa que viste lá e não quiseste comprar porque não querias gastar dinheiro".
Deixei-a desenhar e percebi ao 3º traço o que estava ela a desenhar. Viu-me encantada por lá com uma floreira e acredito que tenha lido nos meus olhos o encantamento.
 
E percebo que a nossa missão enquanto pais está no bom caminho <3
Uma menina atenta a pormenores.
Atenta aos outros, ainda que o nosso mundo gire à volta dela.
Que gosta de fazer felizes aqueles que ama.
 
 

e há 7 anos

Sabia que eras vida em mim <3
 

02/03/15

na pré-primária já aprende umas coisas

Na 5ª feira contou-me que receberam uma visita de uma paleontóloga na escola. E sim, ela sabia o que era e explicou-me certinho. Sabes mamã, acho que ela trabalha num museu, e descobre fósseis e coisas antigas. Deve ser mesmo giro!
 
Na 6ª feira ao fim do dia perguntou-me se lhe ensinava algumas onomatopeias. Tu disseste onomatopeia? Ensino, sim... Mas tu sabes o que são onomatopeias? (sou capaz de jurar que se perguntasse a muitos adultos que trabalham aqui ao lado, muitos me perguntariam, onomato.. quê?!).
E sim, sabia. Explicou-me que eram palavras que representavam sons de animais ou coisas. Sabes mãe? Como ronc-ronc que é o barulho do porco ou chuac que é o som de uma beijoca.
 
Se é assim na pré-primária, é bom que eu comece a reservar tempo para estudar todos os dias, para acompanhar o ritmo.
 

19/02/15

a fazer gazeta desde os 6...

Hoje a Maria teria escola (pré-primária).
Passamos a tarde da 3ª feira de Carnaval em passeio com os meus padrinhos e ela já não queria vir embora (a boa vida é uma cena que lhe assiste - e como eu a entendo!). A minha madrinha a tentar ameninzar a coisa disse-lhe que quando viesse sol e bom tempo iam combinar e ela ia passar uns dias lá a casa.
 - Mas hoje está sol! E tu acabaste de dizer à mamã que amanhã também vai estar! Portanto, posso vir amanhã e fico cá mais um dia?
A minha madrinha olhou para mim. Ela olhou para mim.
 - Então e a escola Maria? Na 5ª feira já tens escola...
 - Então... faço gazeta!!! Pode ser mãe, pode? Por favorrr...
E sim, fez gazeta hoje e amanhã fica em casa no miminho dos avós e volta à escola na 2ª feira.
Afinal, isto dela não ter entrado para a primária, tem que ter pontos positivos. E eu bem me lembro o bem que me sabia fazer uma gazeta inesperada ao colégio (ainda não se falava em pré-primária, era infantário até passar para a escola primária) e ficar em casa da minha avó.
 

02/02/15

Maria a respondona

Sábado à noite. Depois de um fim de tarde bem passado no Mercado do Bom Sucesso, fomos jantar com amigos e com a Rita, a melhor amiga da Maria.
Eu reclamei por qualquer coisa com o Filipe.
Passado uns minutos, ela estava a portar-se para lá de mal e a dar-me cotoveladas que não me deixavam comer. Reclamei.
 - Reclamas com o pai! Reclamas comigo! Chiça rapariga, que tu deves ter algum problema!!!
E foi a risota geral.

Maria a sensível

 - Sabes mamã, hoje o Professor Pedro fez connosco um jogo durante a aula de ginástica...
 - Então, conta-me lá!
 - Tínhamos que andar de olhos fechados e ser guiados por outro menino... O Professor Pedro explicou-nos que é para apurarmos outros sentidos e que tem um menino noutra escola que é invisual... E sabes mamã, eu fico tão preocupada ao imaginar que alguém vive sem conseguir ver, que tive logo vontade de chorar...

28/01/15

coisas que só coração de mãe entende

A esta hora deve estar prestes a rumar à biblioteca municipal. De inicio dizia que não queria ir. Depois expliquei que por lá ia ter muitos livros, que iam ouvir uma história e que ia ser divertido. Não falava de outra coisa nos últimos dias.
Eu sei que é mesmo aqui ao lado. Sei. Sei que está "bem entregue". Sei. Mas vai.

27/01/15

percebemos que o nosso trabalho como mãe está no bom caminho, quando...

Ontem à noite antes de dormir, deitada na cama, de braços cruzados por baixo da cabeça e papo para o ar, gritou: "O meu leite?"
Levou uma resposta torta... Dona Maria, a mãe já explicou que não há empregados cá em casa. Se quiseres que te leve o leite, eu posso levar, se pedires com jeitinho e esperares que eu vista o meu pijama...
E na ida para a casa de banho ouvi-a a dizer para os seus botões... "Um mordomo, eu queria era ter um mordomo!"
Oi? Voltei ao quarto. O que estavas a dizer? Querias um mordomo?
"Ai queria, queria, mãe! Para andar aqui com uma bandeja a trazer-me tudo o que lhe peço... Ou melhor para nos servir às duas, isso é que ia ser!" (Claro está que segundos antes eu lhe tinha respondido torto, por isso o mordomo era mesmo para as duas. Esperta pá! Esperta!)

26/01/15

confusão de sentidos

Chegamos a casa antes do pai. Pediu para ficarmos no carro, na garagem à espera que o papá chegasse.
A Carlota que andava na ramboia com ela dentro do carro de repente pára e fica de orelhas espetadas a olhar para o vazio.
 - Se calhar vem aí o papá Maria!
 - Pois se calhar vem e a Carlota já ouviu. Sabes que os cães têm o olfacto muito apurado!

15/01/15

Afinal não é Maria... nem princesa...

Ontem chamou por mim...
 
 - Mãe! Mãe! Podes vir aqui?
 - Já vou Maria! Dá-me um minuto!
  - Maria? Qual Maria? Filha!... Afinal se eu te chamo Patrícia também não gostas, dizes que é mãe e não Patrícia, por isso nada de Maria... Filha, chamas-me filha se faz favor!
 
e o que eu me ri!

12/01/15

esta obsessão por caixas

Sábado à noite, em casa de uma amiguinha da escola. Estavam a brincar, aparecem e pedem caixas.
Conheço bem a Maria e vi logo de onde vinha a ideia.
 
 - Para que querem as caixas? Caixas de quê?
 - É para fazermos um camião. Pode ser caixa de cerveja e outras. Fita-cola. Tesoura.
E lá estiveram a fazer um "camião".
 
A modos que vamos esquecer os presentes em forma de brinquedos (com que ela brinca tão pouco). Vou começar a guardar caixas e a oferecer-lhe caixas, doses industriais de fita-cola, tesouras com feitios de recorte, tintas, colas, pincéis, furadores, cartolinas, fitas coloridas. Terão bem mais uso do que os 327mil brinquedos que ocupam o quarto e deixam pouco espaço livre para aquilo que ela efectivamente gosta de fazer.
 

06/01/15

a minha vénia

à prodigiosa imaginação da professora da minha filha.
 
Ontem estava feliz da vida a contar-me que a professora Ema esteve quase a ficar sem presentes no Natal. Então não é que o Pai Natal tinha tido um acidente com o seu trenó pertinho do Mira Maia e o marido da professora Ema teve que ir socorrê-lo e colocar gesso na pata de uma rena?! Só então o Pai Natal pode lá ir levar os presentes a casa. E a professora ainda o viu a sair a voar em direcção a nossa casa...
 

05/01/15

das coisas de que me quero lembrar para sempre

O papá foi trabalhar e nós ficamos as duas em casa, no quentinho.
Depois do banho tomado e do pijama vestido, barriga cheia e muito mimo no sofá.
Do nada, pediu-me um abraço, como tantas vezes acontece e disse-me com as mãos a agarrar o meu rosto:
 - Sabes mamã, tu és a luz que me ilumina quando está escuro! Adoro-te! Tu e o papá são as pessoas que eu mais gosto na vida!

o poder da publicidade

Televisão ligada e ela distraída a desenhar.
Ouve o anúncio do Continente e diz-me: "É que é isto mesmo! O que rende é ir ao Continente! Ai é, é!"
Eu que desconhecia esta veia de economia doméstica, sorri e perguntei-lhe porquê.
 - É verdade mãe! O que rende é ir ao Continente!..... Espera.... O que é render?!?

ditos dela

O pai com um saco do lixo perfumado na mão.
Ela de nariz empinado a cheirar...
 - O que foi Maria?
 - Cheira-me a casa de banho de velhotas...

do Natal, da Passagem de Ano e das férias escolares

Foram dias de tranquilidade. Sem doenças (lagarto, lagarto, lagarto). De boa disposição. De brincadeira. De família.
No Natal teve os 2 presentes que pediu: um tal de toffee (que me deixou pertinho da loucura, primeiro por não fazer ideia do que se tratava, depois por não o encontrar em lado nenhum, mas a coisa resolveu-se) e a princesa Sofia fala com os animais. Para além destes, tantos outros e a loucura de rasgar papel de embrulho e correr para a porta ao ouvir a campainha e encontrar os presentes que o Pai Natal tinha acabado de por lá deixar. Tivemos a casa cheia 4 dias e ao no dia 2 de Janeiro ao acordar (já depois do meio-dia) perguntou se não iam lá todos a casa outra vez e ficou triste quando lhe disse que não.
Brindou a família na noite de Natal com um poema lindo que aprendeu na escola. Apesar dos nervos, saiu-se lindamente e teve com ela dois ajudantes: o avô e o primo Rui, que fizeram de apresentadores e de ajudantes da estrela.
Pelo meio eu tive 2 dias de férias, o que fez os nossos fins-de-semana maiores.
Tivemos sol, muito sol. E frio, muito frio.
Fomos ao circo. A amiga do coração Rita, foi passar um fim-de-semana lá a casa. Fomos ver a Branca de Neve no Gelo. Fomos ver um jogo de futebol do primo Tomás.
Jogamos dominó, bingo e brincamos com os novos jogos que recebeu.
Ficamos em casa, quentinhos aninhados nos sofá, a ver filmes e comer pipocas, com as luzinhas da árvore de Natal a piscar.
Voltou a encantar-se pelo CD das canções da Maria que andava perdido no carro e quer ouvi-lo a toda a hora e segue as canções pelo livro e diz que está a ler (not).
Ontem lá perguntou se era mesmo hoje que ia regressar à escola. Disse-lhe que sim e notei que a vontade não era muita, mas não houve dramas nem choradeiras. Adormeceu já passava da 1 da manhã e tudo servia de argumento para não dormir...

10/12/14

mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo

Catraia preparada para fazer uma lista de pedidos ao Pai Natal, ao jeito da lista telefónica de outros tempos.
Calma D. Maria, que tu achas que o Pai Natal com tantas crianças no mundo, vai ter dinheiro suficiente para comprar só para ti esses presentes todos?!
Ela com uma cara de espanto e gozo, responde: Dinheiro?! Mãe, mas tu pensas que o Pai Natal vem ao Jumbo comprar brinquedos? O Pai Natal não usa dinheiro. O Pai Natal tem um batalhão de duendes que trabalham todo o ano e fazem milhões de brinquedos! E depois ele transporta tudo no seu trenó com a ajuda das renas...
Faltou o dahhhh mas esteve lá pertinho.
E eu comi e calei. Pois claro. Afinal onde estava eu com a cabeça?!

Do Mercado dos Santos

Passei o último sábado num Mercado dos Santos, que revertia a favor da Anocas.
Não, não tinha grande tempo para preparar o que levar by feito cá em casa, entre encomendas e tentativa de manter alguma sanidade (e dormir algumas horas, na loucura!). Não podia, no entanto, ficar indiferente ao apelo de quem me fez a proposta.
E lá fui preparando as coisas para levar, dormindo pouco, resmungando muito. A miúda em histeria que ia comigo para a Feira de Natal e que ia ser ela a vender as coisas e tra-la-la. Não falava de outra coisa. Diz que até à professora contou e pediu-me um papel para levar para a escola e explicar onde era.
Lá lhe expliquei que ia ter que acordar cedo (coisa que ela adora - not!) mas nem isso a demoveu. Avisei que não iria ter com quem brincar, que podia ser uma seca, que nem sabia o que íamos almoçar por lá. Que o melhor seria vir embora com a tia Nini que nos ia visitar de manhã e a levava na hora de almoço para casa dos avós. Pois.
Quis ir e foi. Foi ajudando. Por 2 ou 3 vezes, por milimetros não atirou com a minha banca ao chão. Acabou por brincar e fazer amigas (é tão bom ser criança!), comeu qualquer coisa do que eu levava. Comprou macarons de doce de leite (os preferidos dela, e os meus preferidos), comprou um livro na banca solidária, pediu moedas ao pai, pouco depois dele chegar para colocar nas latinhas da Anocas, cravou omolete às meninas da taparware. Fez uma pintura na cara, pelas mão das doce Mary Poppins child care, que a convenceu dizendo que se ela fosse, lhe comprava um anel. E conheceu a Anocas.
E conhecê-la foi especial. Chegou a sorrir e fez questão de dar beijinhos e xis apertados a todos os que lá estavam por ela. Chegou-se a nós e parecia que nos conhecia de sempre. Sorriso rasgados e toma lá beijocas e demos um abraço a 3. A Maria ficou encantada e deixou fugir um "uau! Que menina especial! Esta é que é a Anocas, mamã?!" Correu atrás dela, andou de banca em banca e regressou para a minha beira amuada.
Percebi antes mesmo de perguntar, o porquê do amuo. A Anocas era o centro das atenções e ela lá reclamou que não percebia porque toda a gente lhe dava tanta atenção.
Expliquei-lhe que estavamos ali pela Anocas. Que ela precisava de ajuda. Estava doente e todos os tratamentos custavam muito, muito dinheiro. E que os papás da Anocas por muito que trabalhassem não conseguiriam suportar sózinhos as despesas.
 - Doente? Como doente? Ela está boa mamã! Olha para ela a sorrir e a correr!
E eu engoli em seco e expliquei-lhe o melhor que consegui, sem mentiras. De forma que ela perceba...
Mas se calhar a Maria tem razão. Doentes estão os que andam tristes e chateados com a vida. A Anocas, iluminou o nosso dia frio com um sorriso. E isso foi o melhor que nos podia ter acontecido.

catraia e os carros

Catraia a dissertar sobre carros. Ai e tal eu conheço muitas marcas:
 - Smart, Honda, Skoda, Peugeot e Missa!
Missa? Oi?
 - Sim não conhecem a marca Missa? Até tem umas carrinhas....
Perguntamos se não seria Nissan.
 - Pois, foi mesmo isso que eu disse!
 

27/11/14

Maria e o inglês

 - Mamã, cão em Inglês é dog, não é?
 - Sim, princesa, é dog.
 - Então como a Carlota é uma cadela, é uma doga!

prevejo uma adolescência jeitosa...

Catraia está no quarto do padrinho. Chateiam-se.
Sai porta fora. Bate com a porta. E ouço: "Mete-me mas é na tua vida!"
Sim, aos 6 anos...
M-E-D-O

08/11/14

6


Hoje fazes 6 anos. E de certa forma eu hoje faço 6 anos também. Porque desde que nasceste sou uma pessoa diferente.
Tenho dado por mim a pensar que tipo de amor é este. Que nos une. Sempre. E chego à conclusão que deve ser magia. Só pode ser magia. Há 6 anos eu não imaginava sequer, que fosse possível amar alguém assim. E eu já amava tantas pessoas. Mas todos estes são amores que em nada se comparam ao que nos une. Tem que ser magia, este encantamento permanente. Em que gosto de ti sem reservas. Mesmo nos momentos mais desafiadores.
Obrigada por me dares a conhecer este amor. Obrigada por me fazeres acreditar em magia. Obrigada por seres assim, tal e qual como és.
Parabéns meu amor maior!





28/10/14

um dia...

Vou querer lembrar-me de dias como os nossos.
De como és doce com uma ponta de sal. Lembras-me o meu sabor de gelado favorito. És uma menina caramelo salgado. És assim. Intensa, doce, rica e trazes contigo a possibilidade da surpresa do grão de sal a cada dentada.
É fácil gostar de ti. Mesmo para quem não tem por ti um amor cego, como o meu, de mãe. É mesmo muito fácil.
Adoro ver-te a gerir conflitos. És boa nisso. E parece-me que será uma característica que, sendo inata em ti, te trará muitos sorrisos no futuro. Não podes ver duas crianças chateadas que tentas apaziguar. Não entras no jogo do agora não gosto de ti e na manipulação fácil do agora sou a melhor amiga da outra. És conciliadora. Gostas de ver os que te rodeiam felizes.
És uma companheirona. A melhor. E comigo ficará para sempre, uma manhã louca (minha) de trabalho em que foste comigo e só dei por ti, quando estavas lá para me ajudar. E ajudaste mesmo. E estávamos fora de casa. Num ambiente que te era totalmente estranho. Levaste canetas de feltro e folhas. E estiveste entretida a pintar o teu mundo perfeito. E a saltar na cama elástica ou no insuflável. Aproveitaste a festa mesmo antes dela começar. E estavas genuinamente feliz por estar ali.
Alguns pensarão que te pinto, com olhar de mãe. Sim. Sem dúvida. Mas tenho para mim que alguém que conviva contigo de perto, não terá uma visão diferente e pintará algo bem similar.
Tens sempre a palavra certa a dizer quando percebes que alguém não está bem. Na passada semana o meu carro pregou-nos uma partida e decidiu parar a uns 200 metros de casa. Uns 15 minutos num local com bastante trânsito. Com buzinas de quem não percebia de imediato o motivo. Lá acabou por dar sinal de vida e conseguimos chegar até casa. Eu com um humor de cão, a pensar como ia trabalhar no dia seguinte e a fazer contas à minha vida. Deste-me a mão e pediste-me um abraço ao entrar em casa. Perguntaste-me se estava triste. Respondi-te que não. Que estava chateada. Apertaste o nosso abraço e disseste-me: não fiques assim mamã, há dias melhores e dias piores, mas o importante é que estamos juntinhas. E fizeste-me esquecer o estafermo do carro no mesmo segundo- 
És uma criança fácil. E estás a crescer. Ia escrever que cresces demasiado rápido mas parece-me que todos os filhos crescem demasiado rápido. Para além das mangas das camisola a três quartos e das saias que agora são mini e mostram como estás alta, cresceste muito para além do que os olhos podem ver. Estás uma menina crescida. Que até já percebe rápido quando faz algo menos certo e me lê só com o olhar.
Há uns dias alguém que conheço quase desde sempre, falava-me de ti. E contava-me como és, quando não estás connosco, quando estás na escola, rodeada de outras crianças. Eu sei que és tudo aquilo. Mas ter alguém, com o olhar não turvo de mãe a dizê-lo, deixou-me com o peito cheio de orgulho. Por gostar do ser humano fantástico que existe por trás desses caracóis dourados. Defendo a máxima de que não devemos criar filhos duros para lidar com o mundo. Mas antes criar filhos que façam deste mundo, um local melhor. Se deveria educar-te para seres dura, como tantas vezes ouço? Não sei. Se te trará amargos futuros? Menos sei ainda. Mas sei, sem ponta de dúvida, que se todas as pessoas do mundo fossem Marias, como tu, seria tão, tão melhor. O que de melhor posso deixar por cá é amor. E tu és isso mesmo. Amor. Luz. Doçura.
Gosto de ti. Mais do que ontem. Menos do que amanhã.
 
 

17/10/14

ela descobriu uma nova bebida

Sentados para jantar, ela vislumbra uma garrafa verde plástica.
 - Pai, o que é aquilo?
 - É SevenUp. É um sumo e sabe a limão.
 - Ah! Acho que já sei o que é! Posso provar?
Um bocadinho de sumo no copo que ela bebe de uma vez só.
 - Hummmmmm.... Gosto de sevenet! Dás-me mais?!?

07/10/14

post com bolinhas vermelha

De manhã em conversa com o pai enquanto se vestia para ir para a escola.
 - Pai, olha para a minha unha.... está fo****!
 - O quê Maria?!?!
 - Ohhhhhhh...... Deixa-me acabar de contar....

02/10/14

podes repetir?

Este ano, a avó fez-lhe as batas para a escola. Ela escolheu os tecidos. Coloridos e divertidos.
As batas ficaram fofinhas que só elas e diferentes das que se encontram pelas lojas e que ela habitualmente usava.
Um destes dias, contou-me:
"Sabes mãe, a Professora diz que tenho umas batas muito bonitas. Contei-lhe que foi a minha avó que fez e ela disse que a avó tem muito jeito. Claro, a avó é uma bateira 5 estrelas!"
Certo. Se faz batas é bateira.
E sim, o pai perguntou logo de seguida como se chama um senhor que faz panelas...

17/09/14

ela encontrou a solução

Depois de um primeiro dia agitado, ontem e hoje (quando o pai a deixou na escola) a coisa melhorou. Tem ido bem disposta, embora todos os dias diga que tem saudades das amigas enquanto me conta que esteve um bocadinho com elas...
 
Ontem ao fim do dia, no carro a caminho de casa, já me foi contando que brincou com uma menina da sala dela e perguntou:
"Mãe, podes fazer-me um favor? Compras uma mesa e uma cadeira para levar para a escola? Assim já posso ir para o primeiro ano que passo a ter o meu lugar na escola de cima"
 
Devia ser simples assim.

15/09/14

de regresso

ontem adormeceu tarde mas bem disposta. Disse-me que não queria sonhar com arco-íris (como pede todas as noites antes de dormir), mas antes com a Professora e com as amigas. Disse-lhe que ia sonhar, sim :)
Acordou com muito sono, mas bem disposta. Saimos de casa alegres e ela com a bata nova, feita pela avó.
Já na escola encontrou a professora, as auxiliares e depois as amigas entre abraços e risos. Uma amiga perguntou porque é que ela estava de bata e ela explicou que ia ficar na sala da professora Ema (os meninos da primária não usam bata), que não ia para o 1º ano porque não tinha tido vaga. Sem dramas.
Na hora das meninas subirem senti que o sorriso dela se foi. Perguntou-me outra vez porquê. Porque iam elas todas, as suas amigas, para a sala do 1º ano e porque ficava ela cá em baixo. Disse-lhe com calma que já tínhamos conversado muito sobre isso e que ela já sabia que ia ser assim. Conformou-se.
Ao chegar à sala dela, ainda se riu, brincou com a professora. Chegou um grupo de meninos novos. Ela sentada na roda começou a mudar e vi nos olhos dela que estava insegura e triste. E começou a chorar. Levantou-se. Agarrou-se a mim. Dizia-me que não queria ficar ali, com aqueles meninos que não conhecia, que não estava habituada. Dei-lhe um beijinho e disse-lhe para ter calma que em breve ia conhecer aqueles meninos todos e que tinha que ajudar a professora, como tinham as duas combinado. Lá foi. Ainda chorosa. De mão dada com a professora. Estiverem a cantar e ouvi-a contar à professora que em casa da avó há um formigueiro cá fora e que conhece uma menina que brinca com as formigas. Mais calma, disse-me adeus com um sorriso forçado.
Agora é esperar que o tempo voe até às 15.30h para ela sair. E que chegue rápido o fim da tarde para conversar com ela e dar-lhe um xi apertado.
 
 

10/09/14

a caminho dos 6

Inscrição para os parabéns no Canal Panda, feita.
Tema da festa de aniversário, escolhido.
O que tinha para comprar para a festinha está comprado e deve chegar nos próximos dias lá a casa.
Decorações e lembranças para a criançada já planeadas.
 
Falta saber ao certo onde faremos a festinha e quantas crianças ela vai querer convidar (medo!). Para além dos amigos extra-escola, este ano temo o pior. Tem os miúdos que foram da sala dela há 2 anos, com quem continua a dar-se muito bem (as meninas, vá!), mais os amigos da sala do ano passado (e aqui já diz que quer também convidar alguns rapazes) e este ano, vai ter mais de 20 colegas novos...
 
A ver vamos se a sala de condomínio aguenta.
 
Pela 1ª vez vamos fazer todas as festas no mesmo dia. Ela faz anos a um sábado. Logo não vai haver bolo depois do jantar no dia da semana para a família próxima e depois festa no fim-de-semana.
Vamos fazer festa para a criançada durante a tarde e a família vai lá ter ao final da tarde e ficam para a noite.
 
E sim, eu sei que é um lugar comum, mas continuo sem perceber bem como já passaram quase 6 anos...

26/08/14

um dia...

 
Há momentos da minha infância de que me lembro muito bem. De andar de autocarro com a minha mãe para ir ter com o meu pai ao fim da tarde e irmos juntos para casa. Do velhinho Fiat 127 vermelho. Do mimo e do colo da minha avó materna. De fazer os "deveres" numa mesa de madeira, no quarto da minha avó antes da minha mãe me ir buscar. Da brincadeira diária em que o meu irmão fazia de taxista, sentado ao volante do carro estacionado, enquanto esperávamos pelo meu pai ao fim da tarde. De jantarmos na cozinha. Dos sábados à noite em que a tia Esmeralda e o Matos apareciam para joagar às cartas lá em casa e nos levavam uns chocolates alegro de presente. Do meu despistado e resmungão avô paterno de cabelos tão branquinhos que me oferecia presentes às escondidas. Dos natais com a casa cheia e do cheiro a lareira. Dos meus aniversários em noite de S. João sempre com casa cheia e com cheiro a sardinhas assadas e barulho de foguetes. Dos teatros que preparávamos os 3 (eu, o meu irmão e o meu primo Rui) nas férias de Natal, para ocuparmos a noite de Natal. Da voz dissimulada e assustadora que a minha avó fazia para assustar o meu irmão nos momentos em que ele se portava pior. Da mármore das paredes da casa de banho de casa da minha avó materna, em que imaginava desenhos mil. Das tardes de domingo com cheiro a chá quentinho e a torras em pão de regueifa feitas no forno. Dos fins-de-semana de inverno em que a minha mãe me levava o pequeno-almoço à cama. Dos carnavais com fantasias feitas à medida e com direito a ver a minha avó mascarada de improviso. Da capa metálica das garrafas de espumante que a minha tia avó sempre colocava no nariz (tipo palhaço) quando havia festa. De ir a Fão com a minha avó de camioneta e achar que tinha feito uma viagem imensa. Das 6ªs feiras em que apanhavamos o comboio para rumar a Esmoriz para o fim-de-semana ou quando íamos ter com o Bessa e íamos mais que muitos num carro que hoje não poderia levar mais de 5 pessoas. Da enorme subida perto do restaurante braseiro e das filas intermináveis. Das 3ªs feiras à tarde em que o meu pai não trabalhava e nos levava a jogar minigolfe, a comer uma torrada quentinha ou um gelado, ou a atravessar o rio Douro num pequeno barco. Da mercearia antiga da D. Antonina. Das bolachas catraias que comprávamos na Rua do Rosário.
E um dia...
Um dia vou perguntar-te que recordações guardas dos teus dias de criança.
Vou querer saber que cheiros te levam numa viagem ao passado. Que recordações guardas das nossas tardes de domingo.
Como te lembras de nós, num lugar que agora é hoje mas que um dia será passado.
Vou querer que me contes se te lembras das vezes em que não me orgulho do meu papel de mãe, porque me deixo ir na onda e te falo mais alto não porque tenhas feito algo extraordinariamente errado, mas apenas porque ando cansada ou porque o meu dia correu mal. Vou querer que me contes se te lembras das juras de amor que trocamos todos os dias e das graçolas antes de dormir. D
Um dia, se me esquecer de te perguntar, prometes que me lês e me respondes?

21/08/14

empresas sem WC?

Tenho a sorte de trabalhar pertinho de casa e mais perto ainda de casa dos meus pais e da minha mãe me dar almocinho todos os dias.
Com as férias, a hora de almoço, é também hora de dar umas beijocas à Maria.
Ontem, logo depois de eu lhe dizer até logo e de lhe dar uma beioca porque tinha que me despachar porque ainda tinha que ir fazer um xi-xi antes de sair, ela pergunta-me:
"Óh mãe.... Lá no teu emprego não há casa de banho?!"

18/08/14

onde é que ela vai buscar estas respostas?

Ontem depois de ver o tio Joca pegar no primo Tomás e atirá-lo ao ar na piscina, agarrou-se a ele e deu-lhe uma mordidela na cara. Das grandes.
Percebi logo que o fez porque não percebeu bem se aquilo era brincadeira e se estavam a fazer mal ao amigo Tomás, então ela tinha que o defender.
Ainda assim perguntei.
 - Maria, porque mordeste no tio Joca?
 - Ele pareceu-me gostoso!!!!
Claro que lhe disse que não se fazia. Depois de me recompor de costas viradas para ela e de me rir até não poder mais.

das férias que já lá vão e dos dias que estão para vir

Rimos. Passeamos. Dormimos agarradinhas. Apanhamos sol. Provaste pela 1ª vez um Magnun Double Caramel e no mesmo dia comeste dois. Demos mergulhos. Trocamos segredos. Ficamos com a face rosada do sol. Ficaste morena a valer. Fizeste amigos na piscina com quem combinavas encontros no dia seguinte. Saltamos. Dançamos. Conheceste a livraria mais bonita do mundo e apaixonaste-te pela escadaria e pelo cheiro a livros no seu interior. Correste atrás das pombas. Andamos de autocarro. Andamos de metro. Adormeceste no autocarro. Reclamaste de tantas vezes que fomos ao Porto passear, fruto do tempo atípico e da ausência de calor.
Adormecemos tarde. Fizemos caretas uma à outra, com o único objectivo de fazer a outra rir. Rimos a valer. Esquecemos os horários. Muitas vezes esquecemos as regras. Andamos de chinelos. Ficamos com o cabelo mais claro por obra do sol que adoramos. Vimos desenhos animados. Compramos trapilho e fiz um tapete para o teu quarto. Pintamos um móvel de azul turquesa. Pelo meio fui fazendo bolos e mais bolos. Festas e mais festas. E cada bolo te fazia sonhar com a tua próxima festa de aniversário. Escolheste o tema da tua festa. Todos os dias perguntas quanto tempo demora para chegar o grande dia.
Pela 1ª vez verbalizaste saudades da escola, das tuas amigas e das vossas brincadeiras. Demos beijos salgados e doces. Disseste-me vezes sem conta: "és a melhor mãe do mundo!". Passamos perto do hospital que foi a nossa casa 10 dias, no Verão passado e recordamos aquele aperto no coração que deixou a nossa vida em suspenso e que teve (felizmente) um final feliz.
Foram duas semanas que passaram a correr. O tempo desapareceu e quando percebemos era domingo e perguntaste-me se tinha mesmo que ir trabalhar no dia seguinte. Disse-te que sim. Querendo dizer-te que não.
E agora que as férias se foram? Temos aproveitado os fins-de-semana o melhor que podemos. Aliando tantas vezes o (meu) trabalho com a brincadeira, como fizemos quando aliamos uma festa no Minigolfe com uma tarde a jogar e a brincar. Acertaste num buraco à primeira. Deste pulos e gritos de alegria. Falhaste muitas vezes. E fizeste batota outras tantas. Eu e o padrinho fingimos somar os pontos e dissemos que ganhaste.
Fizeste um birra monumental ao sair de casa do tio Paulo, no dia do aniversário dele. O motivo? Estavas (muito) cansada depois de uma tarde com a festa da tua grande amiga Rita e e querias ficar em casa dos tios. Choraste muito. Esperneaste ao colo do papá. Engasgaste-te de tanto chorar. Pediste desculpa ao pai e disseste-lhe entre soluços e com uma lucidez que me assusta, que também te devia pedir desculpa a ti, porque não tinhas gostado que pegasse em ti ao colo e te tivesse trazido embora daquela forma. E que devia lembrar-se sempre que a família é o mais importante e que devemos sempre sentir com o coração. E que não devemos magoar as pessoas que moram no nosso coração.
Comemos gelados. Saímos para jantar quando estávamos a acabar de entrar em casa.
Demos um longo passeio à noite, naquela cidade que é minha. Dançaste. Cantaste. Atiraste uma moeda (na verdade várias moedas) ao lago (nos Leões) e pediste um desejo com muita força. Pediste uma Quinta com muitos animais. Ficaste triste segundos depois a dizer que sabias que não se ia realizar. Passou-te rápido e meteste mãos à obra e com a ajuda e cumplicidade da avó, tens juntado caixas e cartão, latas de tinta, folhas e tesoura e estás a construir a tua Quinta. Jogamos ao macaquinho chinês na rua. Perto da meia-noite.
Foste a tantas festas de aniversário. Adormeceste cansada vezes sem conta.
Fomos passear ao Palácio de Cristal e viste um pavão com duas crias que parecia ter algum dispositivo magnético que te puxava para ele. Querias levar o pavão para casa.
Andaste de baloiço a grande velocidade.
Fomos comer uma Francesinha com um grupo improvável de pessoas, que são importantes na nossa vida.
Fomos a Guimarães a uma piscina que adoras, apesar desta nos trazer de volta recordações de dias dolorosos. Adormeceste no carro, de fato de banho, a caminho de casa e acordaste apenas no dia seguinte. Ainda com sono e cheia de fome.
 
Não quero que um dia te lembres de tudo. Mas espero que estas vivências, estas memórias de dias doces, fiquem contigo para sempre e contribuam para que a luz que tu tens, brilhe cada vez mais.
 
 

18/07/14

a modos que vamos de férias

Não serão as férias que queríamos ter. Mas serão as nossas férias.
Não estaremos os 3 de férias. Mas estaremos as duas.
Não vamos dormir em quartos diferentes. Mas teremos o conforto dos nossos.
Não faremos kms e mais kms de carro, nem iremos de avião. Mas prometo que vamos andar no meu carrinho, que vamos andar de metro e que vais andar pela 1ª vez de comboio como tens pedido. Na loucura pode ser que andemos também de autocarro "sem tecto". E de barco.
Não estaremos de papo para o ar, num qualquer destino paradisíaco. Mas temos a sorte de morar bem pertinho da praia e, havendo sol, lá estaremos.
Não haverá uma piscina só para nós. Mas iremos à piscina.
Vamos passear pelo nosso Porto. Vamos comer gelados. Vamos subir à Torre dos Clérigos. Vamos almoçar em casa da avó. Vamos jogar minigolfe. Vamos fazer um piquenique. Vamos conhecer jardins novos. Vou roubar-te sorrisos à mesma velocidade que roubas os meus. Vamos conversar. Vamos apanhar sol. Vamos fazer castelos de areia. Vamos jogar raquetes na praia. Vamos comer bolas de berlim depois de correres na direcção do vendedor assim que ouves a buzina. Vamos andar de chinelos. Vamos adormecer cansadas. Vamos jantar de improviso na praia a ver o por do sol. Vamos dormir sem o despertador nos acordar. Vamos pintar mais paletes para fazermos o banco para a nossa varanda. Vamos fazer projectos criativos, como tanto gostamos. Vamos fazer bolos e bolinhos.
E se o sol fugir? Vamos ao cinema. Vamos jogar bowling. Vamos deitar-nos no tapete da sala a comer pipocas e ver desenhos animados. Vamos ler histórias. Vou contar-te histórias. Vais contar-me histórias.

E pensando bem, comparadas com as férias que tivemos o ano passado, neste mesmo mês de Julho, estas serão umas férias boas.

09/07/14

afinal... ela não vai para o 1º ano em Setembro

Ontem o choque chegou.
Uma chamada do agrupamento de escolas, em que nos disseram que não teria vaga na escola que frequenta e a única vaga que conseguiriam seria noutra escola (de que não gostamos) ou alternativamente, ficaria mais um ano na pré, mantendo-se neste caso na mesma escola (tudo porque faz anos em Novembro). Pedi tempo para responder. Ok mas precisamos de uma resposta hoje. Acedi e desliguei. Fiquei triste. Chorei. Imaginei mil formas de abordar o assunto com ela. Sentia um aperto no coração de cada vez que pensava em como iria reagir. Pior, sentia-me partida por uma decisão que não queria ter que tomar.
Sabíamos que era uma hipótese. Sempre lhe dissemos que só iria para o 1º ano se houvesse vaga porque ela ainda não tem 6 anos como as outras amigas. Nunca acreditamos que acontecesse. Aconteceu.
Respiro fundo e meto-me no carro a caminho de casa dos meus pais. Coisa para demorar 2 minutos. E para eu lavar a alma e chorar, chorar, chorar.
Entrei em casa e fui recebida com um abraço, escondida por trás dos meus óculos de sol.
O que tens mamã?
Disse-lhe que falava já a seguir com ela e pedi-lhe que fosse mostrar o jogo novo ao avô. Contei à minha mãe. Tirei os óculos escuros. Chorei outra vez.
Ela apanhou-nos na cozinha e de improviso, sentei-a no balcão e disse-lhe que estava triste porque precisava de tomar uma decisão. E estava confusa. Que nem sempre os adultos sabem que decisão tomar, tal como acontece com as crianças. E que precisava da ajuda dela. Ela de mão no meu rosto, disse-me que me ajudava.
Com calma expliquei que não teria lugar no 1º ano, na escola dela. Que não havia vagas. E que a decisão seria ir para outra escola para o 1º ano (e eu sei como ela queria ir para o 1o ano) ou ficar na escola dela, um ano mais na pré, até ter 6 anos.
Foi a vez dela me peguntar porquê? Porque não tinha vaga? Porque iam as amigas para o 1º ano e ela não?
Expliquei com calma que só não ia por não haver vagas. Que sabíamos todos que havia essa hipótese.
Mamã, eu não quero ir para outra escola... Eu gosto da minha escola.... Das minhas amigas... - disse-me entre soluços e já a chorar.
Pedi-lhe calma e disse-lhe que não tinha que mudar de escola. Podíamos optar por ela ficar na escola dela, mas não iria para o 1º ano.
Disse-me já sem lágrimas: Então é fácil mamã. Fico na minha escola outra vez. Achas que a professora Ema quer ficar comigo?
Ri-me da simplicidade (e da incocência) com que decidiu.
Conheço a Maria de cor e salteado. Já tinhamos conversado sobre esta possibilidade e sobre o que faríamos se fossemos confrontados. Mas ter que decidir, é diferente. E depois de muito pensar e ponderar, voltava sempre ao ponto do sofrimento que iria causar-lhe a mudança e ao desassossego que seria para nós.
Sabemos o que lhe custou a adaptação à escola. Sabemos quantos dias ela chorou para não ir. Sabemos que emocionalmente a carga seria pesada e é suposto ir para a escola com prazer, como ela vai agora.
E sempre chegavamos ao mesmo resultado. Por muitas voltas diferentes que dessemos. Por muitos caminhos que fizessemos.
E foi assim que tomamos a decisão de que a Maria irá ficar mais um ano na pré.
Curiosamente no fim da nossa convesa o meu telemóvel tocou e era a professora da Maria a devolver-me uma chamada e adivinhando o motivo. Disse-me que a decisão seria sempre nossa e quando lhe disse que decisão tinhamos tomado, disse-me que compreendia bem os motivos porque também ela conhecia bem a Maria e sabia o que lhe ira custar e o choque emocional que viria com a mudança. E  disse-me para ficar tranquila que iria com ela fazer um trabalho diferente no próximo ano lectivo. E amanhã aproveitarei a reunião de avaliação do 3º período para conversar um bocadinho mais com a professora.
E agora que o choque passou, respiro fundo e penso que foi melhor ser agora.
Que ela reagiu melhor do que eu pensava (é sempre assim).
Que nada acontece por acaso e eu já devia saber isto de cor e salteado.
E que não será melhor nem pior entrar ou não este ano para a escola primária.