Hoje calhei de ler
esta entrevista. Tinha ouvido falar no livro e nas dores de cabeça que provocou a alguns pais, fiéis seguidores do Método Estivel (é assim que se escreve?) mas não tive curiosidade suficiente para pesquisar e ler.
Hoje tropecei na entrevista. E gostei. Tanto que estou a pensar comprar o livro.
E acho que só li o texto, porque perdi uns segundos a pensar no título "
Bésame mucho,
como criar os filhos com amor".
Dei por mim a pensar se há outra forma de criar os nossos filhos, sem ser com amor...
Ouço vezes sem conta que a Maria é muito mimada. De familiares. De conhecidos. Se me importo? Verdadeiramente? Não.
A Maria é uma criança educada, que tem noção dos limites (dela e dos nossos). É doce. Não é de fazer birras porque sim. Se é mimada? Pois claro que sim. E digo esta parte sem qualquer culpa ou falso moralismo. Quem não gosta de se sentir amado?
Sempre que me apeteceu pegar nela ao colo em bebé peguei (e sim, ouvia o típico "pega nela, pega que vais ver que depois não quer estar deitada e não te deixa dormir". E o mais curioso é que (quase) sempre deixou).
Sempre que me apetece hoje pegar nela ao colo, pego.
Sempre que me apetecia dar-lhe beijos e abraços apertados, dei.
Sempre que me apetece dar-lhe beijos e abraços apertados, dou.
E eu já disse que não e cedi depois dela chorar. Não cedo sempre. Mas sempre e nunca são palavras de que não gosto. E já senti olhares recriminadores por fazer cedências. Por estar disposta a negociar se entendo que é importante para ela e se não faz diferença nem mal a ninguém.
E já gritei com ela em momentos em que não devia ter gritado (porque não tem culpa que eu esteja mal disposta) e já lhe poupei uma ou outra reprimenda, apenas porque no momento não me apeteceu ir por ali.
Eu tenho dúvidas. Muitas dúvidas, enquanto mãe. Claro que me pergunto se é certo. Claro que me interrogo quando um comportamento dela sai fora do padrão que espero (como aconteceu ontem, em que me pediu para a ir buscar a casa dos meus tios, quando foi ela a pedir para ir para lá, e deu como única justificação ter saudades).
Agora há uma coisa de que não duvido nada. Temos uma relação única. Entendemo-nos bem. Sei o que resulta com ela. Sei que não vale a pena falar torto ou insistir quando é uma coisa que ela não quer. Sei que é boa a negociar e que me ensina muito mais sobre a vida do que aquilo que tenho capacidade para lhe ensinar.
E sei que juntas, temos ainda muito para aprender.