21/08/14

empresas sem WC?

Tenho a sorte de trabalhar pertinho de casa e mais perto ainda de casa dos meus pais e da minha mãe me dar almocinho todos os dias.
Com as férias, a hora de almoço, é também hora de dar umas beijocas à Maria.
Ontem, logo depois de eu lhe dizer até logo e de lhe dar uma beioca porque tinha que me despachar porque ainda tinha que ir fazer um xi-xi antes de sair, ela pergunta-me:
"Óh mãe.... Lá no teu emprego não há casa de banho?!"

18/08/14

onde é que ela vai buscar estas respostas?

Ontem depois de ver o tio Joca pegar no primo Tomás e atirá-lo ao ar na piscina, agarrou-se a ele e deu-lhe uma mordidela na cara. Das grandes.
Percebi logo que o fez porque não percebeu bem se aquilo era brincadeira e se estavam a fazer mal ao amigo Tomás, então ela tinha que o defender.
Ainda assim perguntei.
 - Maria, porque mordeste no tio Joca?
 - Ele pareceu-me gostoso!!!!
Claro que lhe disse que não se fazia. Depois de me recompor de costas viradas para ela e de me rir até não poder mais.

das férias que já lá vão e dos dias que estão para vir

Rimos. Passeamos. Dormimos agarradinhas. Apanhamos sol. Provaste pela 1ª vez um Magnun Double Caramel e no mesmo dia comeste dois. Demos mergulhos. Trocamos segredos. Ficamos com a face rosada do sol. Ficaste morena a valer. Fizeste amigos na piscina com quem combinavas encontros no dia seguinte. Saltamos. Dançamos. Conheceste a livraria mais bonita do mundo e apaixonaste-te pela escadaria e pelo cheiro a livros no seu interior. Correste atrás das pombas. Andamos de autocarro. Andamos de metro. Adormeceste no autocarro. Reclamaste de tantas vezes que fomos ao Porto passear, fruto do tempo atípico e da ausência de calor.
Adormecemos tarde. Fizemos caretas uma à outra, com o único objectivo de fazer a outra rir. Rimos a valer. Esquecemos os horários. Muitas vezes esquecemos as regras. Andamos de chinelos. Ficamos com o cabelo mais claro por obra do sol que adoramos. Vimos desenhos animados. Compramos trapilho e fiz um tapete para o teu quarto. Pintamos um móvel de azul turquesa. Pelo meio fui fazendo bolos e mais bolos. Festas e mais festas. E cada bolo te fazia sonhar com a tua próxima festa de aniversário. Escolheste o tema da tua festa. Todos os dias perguntas quanto tempo demora para chegar o grande dia.
Pela 1ª vez verbalizaste saudades da escola, das tuas amigas e das vossas brincadeiras. Demos beijos salgados e doces. Disseste-me vezes sem conta: "és a melhor mãe do mundo!". Passamos perto do hospital que foi a nossa casa 10 dias, no Verão passado e recordamos aquele aperto no coração que deixou a nossa vida em suspenso e que teve (felizmente) um final feliz.
Foram duas semanas que passaram a correr. O tempo desapareceu e quando percebemos era domingo e perguntaste-me se tinha mesmo que ir trabalhar no dia seguinte. Disse-te que sim. Querendo dizer-te que não.
E agora que as férias se foram? Temos aproveitado os fins-de-semana o melhor que podemos. Aliando tantas vezes o (meu) trabalho com a brincadeira, como fizemos quando aliamos uma festa no Minigolfe com uma tarde a jogar e a brincar. Acertaste num buraco à primeira. Deste pulos e gritos de alegria. Falhaste muitas vezes. E fizeste batota outras tantas. Eu e o padrinho fingimos somar os pontos e dissemos que ganhaste.
Fizeste um birra monumental ao sair de casa do tio Paulo, no dia do aniversário dele. O motivo? Estavas (muito) cansada depois de uma tarde com a festa da tua grande amiga Rita e e querias ficar em casa dos tios. Choraste muito. Esperneaste ao colo do papá. Engasgaste-te de tanto chorar. Pediste desculpa ao pai e disseste-lhe entre soluços e com uma lucidez que me assusta, que também te devia pedir desculpa a ti, porque não tinhas gostado que pegasse em ti ao colo e te tivesse trazido embora daquela forma. E que devia lembrar-se sempre que a família é o mais importante e que devemos sempre sentir com o coração. E que não devemos magoar as pessoas que moram no nosso coração.
Comemos gelados. Saímos para jantar quando estávamos a acabar de entrar em casa.
Demos um longo passeio à noite, naquela cidade que é minha. Dançaste. Cantaste. Atiraste uma moeda (na verdade várias moedas) ao lago (nos Leões) e pediste um desejo com muita força. Pediste uma Quinta com muitos animais. Ficaste triste segundos depois a dizer que sabias que não se ia realizar. Passou-te rápido e meteste mãos à obra e com a ajuda e cumplicidade da avó, tens juntado caixas e cartão, latas de tinta, folhas e tesoura e estás a construir a tua Quinta. Jogamos ao macaquinho chinês na rua. Perto da meia-noite.
Foste a tantas festas de aniversário. Adormeceste cansada vezes sem conta.
Fomos passear ao Palácio de Cristal e viste um pavão com duas crias que parecia ter algum dispositivo magnético que te puxava para ele. Querias levar o pavão para casa.
Andaste de baloiço a grande velocidade.
Fomos comer uma Francesinha com um grupo improvável de pessoas, que são importantes na nossa vida.
Fomos a Guimarães a uma piscina que adoras, apesar desta nos trazer de volta recordações de dias dolorosos. Adormeceste no carro, de fato de banho, a caminho de casa e acordaste apenas no dia seguinte. Ainda com sono e cheia de fome.
 
Não quero que um dia te lembres de tudo. Mas espero que estas vivências, estas memórias de dias doces, fiquem contigo para sempre e contribuam para que a luz que tu tens, brilhe cada vez mais.
 
 

18/07/14

a modos que vamos de férias

Não serão as férias que queríamos ter. Mas serão as nossas férias.
Não estaremos os 3 de férias. Mas estaremos as duas.
Não vamos dormir em quartos diferentes. Mas teremos o conforto dos nossos.
Não faremos kms e mais kms de carro, nem iremos de avião. Mas prometo que vamos andar no meu carrinho, que vamos andar de metro e que vais andar pela 1ª vez de comboio como tens pedido. Na loucura pode ser que andemos também de autocarro "sem tecto". E de barco.
Não estaremos de papo para o ar, num qualquer destino paradisíaco. Mas temos a sorte de morar bem pertinho da praia e, havendo sol, lá estaremos.
Não haverá uma piscina só para nós. Mas iremos à piscina.
Vamos passear pelo nosso Porto. Vamos comer gelados. Vamos subir à Torre dos Clérigos. Vamos almoçar em casa da avó. Vamos jogar minigolfe. Vamos fazer um piquenique. Vamos conhecer jardins novos. Vou roubar-te sorrisos à mesma velocidade que roubas os meus. Vamos conversar. Vamos apanhar sol. Vamos fazer castelos de areia. Vamos jogar raquetes na praia. Vamos comer bolas de berlim depois de correres na direcção do vendedor assim que ouves a buzina. Vamos andar de chinelos. Vamos adormecer cansadas. Vamos jantar de improviso na praia a ver o por do sol. Vamos dormir sem o despertador nos acordar. Vamos pintar mais paletes para fazermos o banco para a nossa varanda. Vamos fazer projectos criativos, como tanto gostamos. Vamos fazer bolos e bolinhos.
E se o sol fugir? Vamos ao cinema. Vamos jogar bowling. Vamos deitar-nos no tapete da sala a comer pipocas e ver desenhos animados. Vamos ler histórias. Vou contar-te histórias. Vais contar-me histórias.

E pensando bem, comparadas com as férias que tivemos o ano passado, neste mesmo mês de Julho, estas serão umas férias boas.

09/07/14

afinal... ela não vai para o 1º ano em Setembro

Ontem o choque chegou.
Uma chamada do agrupamento de escolas, em que nos disseram que não teria vaga na escola que frequenta e a única vaga que conseguiriam seria noutra escola (de que não gostamos) ou alternativamente, ficaria mais um ano na pré, mantendo-se neste caso na mesma escola (tudo porque faz anos em Novembro). Pedi tempo para responder. Ok mas precisamos de uma resposta hoje. Acedi e desliguei. Fiquei triste. Chorei. Imaginei mil formas de abordar o assunto com ela. Sentia um aperto no coração de cada vez que pensava em como iria reagir. Pior, sentia-me partida por uma decisão que não queria ter que tomar.
Sabíamos que era uma hipótese. Sempre lhe dissemos que só iria para o 1º ano se houvesse vaga porque ela ainda não tem 6 anos como as outras amigas. Nunca acreditamos que acontecesse. Aconteceu.
Respiro fundo e meto-me no carro a caminho de casa dos meus pais. Coisa para demorar 2 minutos. E para eu lavar a alma e chorar, chorar, chorar.
Entrei em casa e fui recebida com um abraço, escondida por trás dos meus óculos de sol.
O que tens mamã?
Disse-lhe que falava já a seguir com ela e pedi-lhe que fosse mostrar o jogo novo ao avô. Contei à minha mãe. Tirei os óculos escuros. Chorei outra vez.
Ela apanhou-nos na cozinha e de improviso, sentei-a no balcão e disse-lhe que estava triste porque precisava de tomar uma decisão. E estava confusa. Que nem sempre os adultos sabem que decisão tomar, tal como acontece com as crianças. E que precisava da ajuda dela. Ela de mão no meu rosto, disse-me que me ajudava.
Com calma expliquei que não teria lugar no 1º ano, na escola dela. Que não havia vagas. E que a decisão seria ir para outra escola para o 1º ano (e eu sei como ela queria ir para o 1o ano) ou ficar na escola dela, um ano mais na pré, até ter 6 anos.
Foi a vez dela me peguntar porquê? Porque não tinha vaga? Porque iam as amigas para o 1º ano e ela não?
Expliquei com calma que só não ia por não haver vagas. Que sabíamos todos que havia essa hipótese.
Mamã, eu não quero ir para outra escola... Eu gosto da minha escola.... Das minhas amigas... - disse-me entre soluços e já a chorar.
Pedi-lhe calma e disse-lhe que não tinha que mudar de escola. Podíamos optar por ela ficar na escola dela, mas não iria para o 1º ano.
Disse-me já sem lágrimas: Então é fácil mamã. Fico na minha escola outra vez. Achas que a professora Ema quer ficar comigo?
Ri-me da simplicidade (e da incocência) com que decidiu.
Conheço a Maria de cor e salteado. Já tinhamos conversado sobre esta possibilidade e sobre o que faríamos se fossemos confrontados. Mas ter que decidir, é diferente. E depois de muito pensar e ponderar, voltava sempre ao ponto do sofrimento que iria causar-lhe a mudança e ao desassossego que seria para nós.
Sabemos o que lhe custou a adaptação à escola. Sabemos quantos dias ela chorou para não ir. Sabemos que emocionalmente a carga seria pesada e é suposto ir para a escola com prazer, como ela vai agora.
E sempre chegavamos ao mesmo resultado. Por muitas voltas diferentes que dessemos. Por muitos caminhos que fizessemos.
E foi assim que tomamos a decisão de que a Maria irá ficar mais um ano na pré.
Curiosamente no fim da nossa convesa o meu telemóvel tocou e era a professora da Maria a devolver-me uma chamada e adivinhando o motivo. Disse-me que a decisão seria sempre nossa e quando lhe disse que decisão tinhamos tomado, disse-me que compreendia bem os motivos porque também ela conhecia bem a Maria e sabia o que lhe ira custar e o choque emocional que viria com a mudança. E  disse-me para ficar tranquila que iria com ela fazer um trabalho diferente no próximo ano lectivo. E amanhã aproveitarei a reunião de avaliação do 3º período para conversar um bocadinho mais com a professora.
E agora que o choque passou, respiro fundo e penso que foi melhor ser agora.
Que ela reagiu melhor do que eu pensava (é sempre assim).
Que nada acontece por acaso e eu já devia saber isto de cor e salteado.
E que não será melhor nem pior entrar ou não este ano para a escola primária.
 

04/07/14

percebo que não vou para nova quando...

As duas no carro a caminho do cabeleireiro.
 - Mãe, o que vais fazer ao cabeleireiro?
 - Vou pintar o cabelo. Já viste tantos cabelos brancos que já andam por aqui?
 - Tens que tomar centrum mulher! Vais ver que te apaga as rugas do cabelo num instante!!!
 - Achas que eu preciso que me apaguem as rugas?
 - Da cara não, mamã! Mas no cabelo, essas rugas brancas...

Orelhas furadas

Para mais tarde recordar... Depois de tanto tempo a pedires para furar as orelhas, numa ida ao shopping e de surpresa, foi o dia.
As duas orelhas ao mesmo tempo e com os brincos escolhidos por ti.
Uns segundos de choro para logo a seguir te encantares e não parares de olhar para o espelho.
O pai não gosta.
A mãe acha que ficas ainda mais fofinha :)

15/05/14

é assim que ela vê os políticos

No fim-de-semana ela parada em frente à televisão. Com o olhar mais compenetrado e atento.
Na televisão, discursava o nosso Presidente da República, Cavaco Silva.
 - Maria, o que estás a fazer?
 - Então mãe... Estou a ouvir o senhor Padre...

13/05/14

baptizar ou não baptizar?

A modos que ando com vontade de baptizar a catraia. E se o Pápa diz que até aos extraterrestres não deve ser negado o baptismo, tenho para mim que convencer um padre que não conheço, de uma igreja a que fui umas 10 vezes perto de casa, vai ser canja (ou não).
Sim, somos casados. Não, não somos casados pela igreja. Para mim fazia pouco sentido. Para o Filipe não fazia qualquer sentido.
Não sou católica praticante. Não sei sequer dizer se sou católica. Tive uma educação católica. Fui baptizada. Fiz a 1ª comunhão. Frequentava um lar de freiras que ficava na rua da casa da minha avó e foi lá que andei na catequese.
Com o passar dos tempos fui-me afastando da igreja sobretudo por não entender as atitudes dos padres. Se calhar cruzei-me com alguns padres errados. E sempre tive dificuldade em entender porque raio tinha que me "confessar" a pessoas que não conhecia e entender o que eram mais do que eu, para poderem perdoar...
Mas há momentos em que sinto que não caminho sózinha. Quando vou a Fátima fora dos dias de romaria (que me perdoe quem delira com as excursões a Fátima dos dias 13, mas para mim Fátima não é aquilo) sinto-me mais leve, sinto que respiro de forma diferente, invariavelmente emociono-me por lá.
No momento mais complicado da minha vida, não pensei em Deus mas pensei muito na minha avó que já cá não está.  E pedi-lhe muito e com todas as minhas forças que ajudasse a minha princesa. E pergunto-me se não será quase a mesma coisa. Porque se não acreditasse em algo e falando objectivamente a minha avó não está cá comigo há tantos anos, o que poderia ela fazer se já não existe?!
Quando a Maria saiu do hospital no Verão horribilis de 2013, pediu-me 2 coisas. Um cão bebé que não crescesse e igual ao Óscar e uma festa de preferência num parque. A parte da Carlota foi-se resolvendo ainda ela estava no hospital e no dia em que a levamos para casa, fomos buscá-la e fizemos-lhe a grande surpresa. A parte da festa no Parque foi-se adiando. Primeiro porque ela ainda estava debilitada. Depois porque não podia andar muito ao sol nem fazer grandes esforços e depois porque o Verão se foi e estava fresco no fim-de-semana.
A Maria já foi à igreja, fala de Jesus, tem padrinhos já desde o tempo em que estava na minha barriguita.
E gostava de juntar as duas coisas. Baptizá-la como agradecimento ao Deus em que acredito (e que não chamo por este nome) pela ajuda que acredito que nos deu e cumprir o desejo dela e ter connosco num parque as pessoas especiais da nossa vida.
Uma coisa muito simples. Com uma festa num parque, para os que contam e sempre estiveram connosco nos momentos mais animados e nos mais complicados.
Tenho para mim que convencer o pai será muito mais complicado do que convencer o padre.

05/05/14

do dia da mãe

Foi um dia especial como o são todos os dias que passo contigo.
Foi ainda mais especial, porque apesar de estar para lá de cansada com tantas encomendas by feito cá em casa, tivemos a casa cheia com os meus pais, irmão e com os meus padrinhos e o meu tio. Afinal era dia da mãe e eu tenho a sorte de ter a minha mãe por perto e de estar com ela todos os dias, mas ainda assim, quis fazer para ela um almocinho lá em casa.
O que ficará para sempre comigo será o pedacinho de tarde em que as mulheres da família vieram passear ao jardim do condomínio e tu andaste de trotinete, passeaste a Carlota e ainda tivemos tempo para jogar todas à macaca e ao um-dois-três macaquinho chinês.
Amo-te mais do que consigo colocar em palavras. Não apenas neste dia. Mas em todos os outros. Mesmo naqueles dias em que estou mal disposta ou tu estás mal disposta. Mesmo nos dias em que estou exausta e as tuas pilhas parecem não ter fim. Gostar de ti é bom. Muito bom. E sei que é uma sorte ter-te na minha vida. Que assim seja para sempre.

23/04/14

das férias da Páscoa

Ela esteve de férias. Nós estivemos a trabalhar.
Pediu para ir para casa dos meus padrinhos e fez 2 malas. Uma carregada de roupa e outra de brinquedos.
Perto da hora de jantar no 1º dia, pediu para a ir buscar porque tinha saudades. Estava feliz mas tinha saudades. Fomos.
Foi dormir a casa da madrinha e se deixassemos teria lá ficado mais (mas o domingo de Páscoa seria em casa dos meus pais e teve mesmo que vir embora).
Antes de vir cruzou-se no Parque da Pasteleira com uma menina da escola e estiveram as duas a brincar. Disse-me com um sorriso que a menina era grande, da escola de cima (primária) e que assim que a viu lhe perguntou se ela se chamava Maria... "Mamã, não vais acreditar! Ela sabia o meu nome...!"
Fez com a madrinha um teatrinho do capuchinho vermelho, lindo que só ele que mostra bem que ela tem a quem sair habilidosa.
Brincou muitoooo em casa dos meus pais, com a companheira de todas as brincadeiras, a avó.
Levou para casa dos avós a bicicleta e no 1º dia decidiu mandar-se rampa abaixo e espetar-se contra o muro. Sem danos de maior e com a lição aprendida por experiência própria.
Percebeu que estar de férias também é estar com as amiguinhas da escola e teve a sorte de partilhar tardes com a amiga Matilde a andar de bicicleta ou a brincar em casa dela ou em casa dos meus pais.
Apesar de não estarmos de férias o S. Pedro foi amigo e permitiu que os dias se esticassem mais e que tivessemos aproveitado para passear.
Viu a Carlota com o cio pela 1ª vez e radiante disse-me que ela estava pronta para ter bebés e anda a contar os dias para que eles nasçam (
Foi pela 1ª vez ao Mercado do Bolhão e não achou piada nenhuma (óhhhhh).
Não comeu nem uma amendoa (não sabe o que perde) mas comeu muitas moedas de chocolate da Favorita do Bolhão.
Fizemos projectos (aka trabalhos manuais), fizemos bolos, bolachinhas. Ajudou a arrumar a casa, a limpar o pó e a varrer.
O jogo "olá eu sou um animal", foi substituído em importância, pelo jogo das rimas. Numa viagem de 30 minutos de carro, viemos os 3 a jogar e ela não se sai nada mal e conseguiu arranjar rimas em "ão" toda a viagem.
Os padrinhos foram para lá de generosos e recebeu roupinha nova fofinha que só ela da madrinha e levou o padrinho com ela à Disney Store onde escolheu a princesa Jasmine de presente e ele decidiu acrescentar a casa da árvore da Rapunzel.
Perdeu o Pascal pelo ralo do bidé no mesmo dia e desenhou um "ainda mais bonito" (palavras dela) para o substituir.
Embora não pedisse para regressar à escola, não fez nenhum drama por perceber que as férias estavam a acabar (o que é um avanço significativo, se pensarmos como correu o regresso das férias do Natal).
E hoje ficou na escola tranquilamente.
E estou desejosa para estar com ela (e ver o queixo que esfolou, no 1º dia do 3º período) e para que ela me conte como correu o regresso, o que fez e tudo e tudo e tudo.
E este será o último período antes da grande aventura da escola primária (o que vale é que ela ainda não sabe ler, senão dizia-me logo que é o 1º ano).

16/04/14

Porque há coisas que para mim só fazem sentido assim

Hoje calhei de ler esta entrevista. Tinha ouvido falar no livro e nas dores de cabeça que provocou a alguns pais, fiéis seguidores do Método Estivel (é assim que se escreve?) mas não tive curiosidade suficiente para pesquisar e ler.
Hoje tropecei na entrevista. E gostei. Tanto que estou a pensar comprar o livro.
E acho que só li o texto, porque perdi uns segundos a pensar no título "Bésame mucho, como criar os filhos com amor".
 
Dei por mim a pensar se há outra forma de criar os nossos filhos, sem ser com amor...
 
Ouço vezes sem conta que a Maria é muito mimada. De familiares. De conhecidos. Se me importo? Verdadeiramente? Não.
A Maria é uma criança educada, que tem noção dos limites (dela e dos nossos). É doce. Não é de fazer birras porque sim. Se é mimada? Pois claro que sim. E digo esta parte sem qualquer culpa ou falso moralismo. Quem não gosta de se sentir amado?
Sempre que me apeteceu pegar nela ao colo em bebé peguei (e sim, ouvia o típico "pega nela, pega que vais ver que depois não quer estar deitada e não te deixa dormir". E o mais curioso é que (quase) sempre deixou).
Sempre que me apetece hoje pegar nela ao colo, pego.
Sempre que me apetecia dar-lhe beijos e abraços apertados, dei.
Sempre que me apetece dar-lhe beijos e abraços apertados, dou.
 
E eu já disse que não e cedi depois dela chorar. Não cedo sempre. Mas sempre e nunca são palavras de que não gosto. E já senti olhares recriminadores por fazer cedências. Por estar disposta a negociar se entendo que é importante para ela e se não faz diferença nem mal a ninguém.
E já gritei com ela em momentos em que não devia ter gritado (porque não tem culpa que eu esteja mal disposta) e já lhe poupei uma ou outra reprimenda, apenas porque no momento não me apeteceu ir por ali.
Eu tenho dúvidas. Muitas dúvidas, enquanto mãe. Claro que me pergunto se é certo. Claro que me interrogo quando um comportamento dela sai fora do padrão que espero (como aconteceu ontem, em que me pediu para a ir buscar a casa dos meus tios, quando foi ela a pedir para ir para lá, e deu como única justificação ter saudades).
 
Agora há uma coisa de que não duvido nada. Temos uma relação única. Entendemo-nos bem. Sei o que resulta com ela. Sei que não vale a pena falar torto ou insistir quando é uma coisa que ela não quer. Sei que é boa a negociar e que me ensina muito mais sobre a vida do que aquilo que tenho capacidade para lhe ensinar.
E sei que juntas, temos ainda muito para aprender. 
 

02/04/14

Hoje é o dia do teu aniversário avó

E eu sei que, lá onde tu estás, hoje é dia de festa.
 
Parabéns avó.
 
E uma imenso Obrigada por aquilo que ficará comigo para sempre...

31/03/14

do fim-de-semana

Ela acordar a sorrir, dizer um sonoro bom dia e dar-me um xi apertadinho enquanto me conta que sonhou que a família andava a deslizar num arco-íris feito de cera e que tinha sido muito divertido <3
 
Conhecermos o mais recente membro da nossa família alargada, o bebé G. que "é tão pequenino e fofinho".

Terminarmos o dia com um não programado encontro com amigos nossos e com a amiga do coração da catraia, a Rita. E jantarmos por lá, todos juntos. E terminarmos o jantar e eles quererem ir brincar para o parque. E lá ficaram até já passar das 11h da noite, enquanto nós aproveitamos para por a conversa em dia.
 
E um dia inteiro de ronha e de sofá, com frio, vento e chuva lá fora.

24/03/14

note to self

Da próxima vez em que me passar pela cabeça deixar de ter este blog, de registar o que me vou lembrando dos ditos da princesa é favor lembrar-me sempre de como é bom ler aquilo que escrevemos em tempos idos. 
E pensar em como um dia ela gostará de ler.
Foram só 5 minutos e meia dúzia de posts que consegui ler e o meu sorriso deve dizer tudo. Já não me lembrava bem como ela era uma papagaio com 18 meses e nas conversas dela. Já não me lembrava que ela gostava de comer yocos à sobremesa (agora não adora, muito menos à sobremesa).
 

o coelho Tamboril

No sábado tivemos que ir ao Norte Shopping. Para a catraia, Norte Shopping quer dizer Disney Store e lá fomos espreitar.
Depois de muita indecisão (e choro à mistura), porque afinal era tudo lindo e ela escolhia uma coisa e a seguir não queria aquilo e queria outra coisa, acabou por decidir-se por um bowling das princesas (piroso que só ele).
Já na caixa, pergunta-me a menina se queria aproveitar a promoção e levar um pelucho do coelho Tambor. Eu olhei para ela e esperava que ela dissesse que não (afinal até acho que ela nunca viu o Bambi).
Resposta: "Querooooo! Mãe tu não sabes que eu adoro o coelho Tamboril!?!"
 

20/03/14

porque ser biju quando se pode ser princesa?

Catraia a falar sobre a minha madrinha: "Não gosto da tia. Ela é uma chata!"
"Maria, não é nada chata. A tia gosta muito de ti... Porque é que a tia é chata?"
"Porque me chama biju e biju é nome de bebé!"
"Então como queres que ela te chame? Maria?"
"Princesa está bom para mim!"

a madrinha e as férias da Páscoa

"Mãe, falta muito para chegarem as férias da Páscoa?"
"Não princesa, está quase."
"É nas férias da Páscoa que eu vou dormir a casa da madrinha?"
"Sim, princesa."
"Oh mãe, achas que eu posso ficar lá a dormir 8 dias?!?"
 
se aos 5 já se quer pirar de casa 8 dias nas férias da Páscoa, prevejo uma adolescência para lá de animada. M-E-D-O

porque ontem foi dia do pai

Saí da empresa a correr. Parei para fazer compras no supermercado. Fui a casa dos meus pais buscar a dupla maravilha (aka Maria & Carlota). Saí de casa dos meus pais sem a dulpa maravilha que a Maria quis ficar com os avós e ir com eles para minha casa. Parei para comprar pão. Cheguei a casa. Fiz a sobremesa. Jantar. Entradas. Por esta ordem. E ainda tive tempo de colocar a toalha na mesa antes dos meus pais e o meu mano chegarem para jantar.
O pai lá de casa chegou já depois das 8h. E ela orgulhosa ofereceu-lhe o presente que preparou para ele na escola (giro, muito giro!).
Mas o momento alto foi ouvi-la cantar a música que aprendeu especialmente para o dia do pai <3
Agora é conseguir convencê-la a cantar novamente para conseguirmos filmar.

14/03/14

Porque há dias em que tudo faz (mais sentido)

Hoje li este texto. É um blog que gosto de acompanhar e que me tem ensinado muito sobre a díficl arte de ser mãe.
Se há dias em que sinto o caminho mais incerto, em que tropeço ou chego mesmo a cair, hoje é um desses dias.
 
Ando pensativa. Diria que ando triste. A Maria voltou a chorar e a pedir para não ir para a escola. A palavra certa não é pedir, é suplicar...
Na semana anterior ao Carnaval esteve doente. Muito constipada e com febre. Ficou 3 dias em casa e quis ir à escola no dia da festa de Carnaval, embora ainda estivesse doente. Foi. E sei que por lá choramingou e dizia ter saudades nossas. Na semana seguinte teve 3 dias de férias e nos 2 dias seguintes ficou em casa por ainda não estar recomposta.
2ª feira voltou à escola e saiu de lá com febre (baixa mas febre). 3ª feira igual. Tem estado sem febre embora ainda continue constipada e eu quero acreditar que por este motivo anda mais fragilizada.
Chora e pede-me por tudo para não ir à escola. Diz que não gosta. Grita que odeia. Tento conversar com ela nos momentos em que se acalma e perceber o porquê. Depois de alguma insistência disse-me na 3ª feira à noite que há uma menina e dois meninos que lhe batem. Perguntei como, onde, se não estava ninguém por perto. Disse-me que é sempre no recreio. Diz ainda que odeia a comida da escola e que a obrigam a comer (esta é porventura a parte mais fácil de resolver) e diz-me que sente que ninguém acredita nela quando diz que lhe doi a testa (a cabeça) ou a barriga e pede para me ligarem (nunca ligaram).
Liguei para a escola na 4ª feira e falei com a professora. Disse-me que era verdade que ela andava mais chorosa e que sempre que chorava na sala dizia que tinha saudades nossas. Questionei se alguma alteração tinha havido na sala e de forma directa disse-lhe que ela nos tinha contado a muito custo que a tal menina e dois outros meninos lhe batiam. Assegurou-me que dentro da sala não era verdade e disse-me que ia pedir uma atenção especial no recreio.
Falei com a Maria e expliquei-lhe que tinha falado ao telefone com a professora e que na próxima semana ia conversar com ela. Sentia um pouco mais sossegada, mas hoje o tormento continuou.
E eu sentio-a diferente. Insegura. Pede constantemente para eu estar ao lado dela. Quer estar sempre ao colo. Pede-me para não sair de perto dela. Não a sinto com a alegria habitual.
Digo-lhe que acredito nela e que se algo não está bem, juntas vamos conseguir resolver.
Sossego-lhe as saudades e explico que eu também sinto saudades dela durante o dia, mas que a trago sempre comigo no coração. E que sei que quando sair do trabalho vamos estar as duas juntas e passear e brincar. E que ela pode sentir o mesmo. E que temos os fins-de-semana e as férias que são momentos especiais em que podemos estar mais tempo juntas.
E ando aos tropeções. E o meu coração diz-me que algo se passará. E no entretanto ela continua a ir à escola...
 

03/03/14

ditos dela

"Sabias que mais vale prevenir do que redemiar?"
Risos muito risos.
"Não sei porque é que te estás a rir. É mesmo verdade que eu aprendi no Manny Mãozinhas!"

Maria - a miúda que adora animais

Ontem, antes de dormir.
"Sabes mamã, eu adorava morar numa Quinta!"
"Ai sim? Então porquê?
"Por causa de estar perto dos animais mamã. Eu adoro animais."
"E qual é o teu preferido?"
"O cão. Espera também gosto de peixes e de vacas. Gosto de pintainhos e de coelhos. Ah! E de porco! Porque quando o porco morre dá-nos fiambre e bolachas de porco (aka TUC bacon) que eu adoro!"
E pronto. Assim se foi o momento fofinho...
 

20/02/14

Hoje preciso de Ajuda - Gonçalo na Alemanha

Eu sei que já vos pedi ajuda antes. E sei que sempre meajudaram.
Hoje não vou pedir ajuda para uma causa que me sensibilizou. Vou antes pedir ajuda para o meu primo, o Gonçalo.
 
O meu primo Gonçalo tem 22 anos e tem cancro. Pois.
 
A página do facebook onde podem acompanhar a luta é esta www.facebook.com/GoncalonaAlemanha e peço-vos que façam gosto e se puderem, contribuam com 1€ que seja para que juntos consigamos mandar o meu primo à Alemanha, onde neste momento, reside a esperança.
E partilhem p.f.
Nos vossos blogs, no facebook, nas empresas onde trabalham, aos amigos.
 
Obrigada.

13/01/14

vamos cantar as asneiras

Na passada 6ª feira informou-me que hoje, às 5.30h da tarde, tinha que ir à escola porque os meninos iam cantar.
Ok. Perguntei: mas o que vão cantar?
E ela começou a cantarolar com a voz de cana rachada passarinho, a cantilena, até que a ouço dizer:
".... as asneiras vimos cantar!"
 - Maria não é asneiras, é Janeiras, filha.
 - Mãe até pode ser Janeiras como tu dizes, mas na minha escola todos cantam asneiras e a música é mesmo assim.
 
A modos que hoje ela vai cantar as asneiras e eu lá estarei em modo mãe babada para ouvir.

31/12/13

uma estreia: catraia vai ao círculo

E eis que no domingo foi ao circo. Não, não me enganei no título, ela é que diz que foi ao círculo com a tia Ana e que gostou de tudo mas o que gostou mais foi de ver lá em cima as meninas "tranpezistas" com os fatos brilhantes.
Piroso? Brilhante? E novidades?

30/12/13

aos 5 faz encomendas ao Pai Natal (que escrever cartas com desejos não é coisa para ela)

Noite de Natal cá em casa. Pais, padrinhos, tios. Primos e mano. 12 pessoas por cá. Já passava da meia-noite e a catraia ouviu a campainha tocar. Tinha preparado um prato com um copo de leite e 3 bolachas para o Pai Natal que tinha deixado à porta.
- 3 bolachas Maria?
- Sim mãe. O Pai Natal está muito barrigudo e não pode comer muitas bolachas!
Depois de me mandar à frente à porta, porque tem um medo danado do Pai Natal e de me pedir para trazer os presentes para dentro, começa a loucura de rasgar o papel.
E de repente, diz ela:
 - Oh mãe, eu não encomendei isto! Se calhar o Pai Natal enganou-se.

Projecto Amelie

Já ouviram falar?
Podem ver mais aqui ou fazendo uma pesquisa no google ou no facebook.
Confesso-me entusiasta da ideia de termos o poder de mudar (ainda que por breves instantes) a vida de perfeitos desconhecidos. Imaginam o que sentiriam indo tomar um café e dizerem-vos que o vosso café está pago e entregarem-vos um bilhete a desafiar-vos a fazer o mesmo por alguém?
Parece-me que a minha resolução para 2014 será esta. Poder despertar um sorriso em alguém.

Adeus 2013. Olá 2014!

2013 foi um ano mau. Reformulando. 2013 foi um ano que me ensinou muito.
Foi o ano que em percebi que sem saúde nada feito. E não foi a mim que me faltou saúde, mas ao meu outro coração, que morando fora de mim, é meu como nenhum outro.
A princesa esteve doente. Doente a sério. Passamos por um pequeno pesadelo no Verão deste ano, com direito a dias de inferno até se descobrir a causa e finalmente uma cirurgia já no limite e com a princesa em risco de vida. Foi uma merda. Como deve ser sempre uma merda quando temos os nossos filhos doentes. Já me custava quando ela estava doente, com aquelas coisas a que não há como escapar. Uma amigdalíte, uma constipação, uma bronquiolite. Mas este ano... puxa... que ano...
E se não bastasse este grande susto, o estafermo deste ano vai terminar ainda com outro por resolver. A parotidite ainda mora na princesa e está a demorar tanto a passar, que mesmo depois da ecografia e dos 10 minutos que a peditra passou a apalpar a garganta da princesa na semana passada, mentiria se dissesse que estou sossegada.
E por isso para 2014 peço saúde para mim e para aqueles que amo e que nada nos falte. O resto é apenas isso. O resto. Claro que daria jeito que me saisse o euromilhões, ir de férias para longe apanhar sol e não fazer nenhum, conseguir levar em diante um projecto que anda a fervilhar na minha cabeça, ter o meu ordenado multiplicado por dois, mas olhando para 2013, se 2014 nos trouxer saúde a todos, será um ano bom.

19/12/13

ai 2013...

Ontem, do nada, a princesa diz que lhe doi uma orelha. Seria uma otite? No minuto seguinte recusa-se a jantar porque diz que lhe doi a abrir a boca. A custo consigo que abra e não vi nada de estranho. Com ela ao meu colo, percebi que a temperatura começava a subir e com olho clínico de mãe, reparei que tinha um ligeiro papo, entre a orelha que dizia que lhe doia e a linha do maxilar. Despe pijama. Esquece o jantar. Enfiamo-nos no carro. O que raio seria aquilo. A médica começou por falar-nos em parotidite, a inflamação das glândulas parótidas, vulgarmente designada por papeira. Confirmou que as vacinas estavam em dia e pediu uma e outra vez para ver a garganta da Maria. E voltou a ver. E chamou uma colega. E trocaram palavras em que percebi falarem de uma simetria da faringe. A médica que a estava a atender achava que sim. A colega achava que não. Chamaram outra médica. Todas amorosas e vestidas de cor-de-rosa. Eu senti as minhas pernas a tremer quase de imediato. Ainda se riram e perguntaram se não me queria sentar e se queria água. A Maria mantinha-se bem disposta. E continuavam a conversar e ouviamos: "Achas?" "Não me parece?", "Vejo qualquer coisa, mas parece uma infecção na garganta que pode aparecer e desaparecer", "Os gânglios estão enormes, dos 2 lados!". O pai encheu-se de coragem e perguntou que desconfiança tinham. A pediatra foi esquiva e disse que no momento era parotidite, o resto era apenas suspeita. Engoli em seco. A conversa continuou. Não havia hipótese de fazer ecografias à noite a não ser que fosse um caso crítico, por isso pediram-nos para hoje estarmos novamente na CUF antes das 9 da manhã e que a ecografia diria se seria ou não parotidite e que este seria o cenário desejável. Não conseguiria vir embora sem perguntar novamente. E ouvi a mesma resposta. Pediram-me para ter calma (really?) e que no dia seguinte já teríamos certezas.
Saímos. Coração apertado. Ela melosa e doce. Com mais febre. E com fome.
Ainda a caminho de casa googlei e encontrei o motivo do alarme. E senti o banco do carro desaparecer. E senti o meu corpo a tremer mais e mais. Nem uma palavra sobre o assunto. Com ninguém. Dormimos os 3 na nossa cama. Dormir é apenas uma forma de explicar que nos deitamos. Dormi a espaços e poucos minutos toda a noite. Agarrada a ela tanto quanto ela permitia. E pedia à minha avó sempre que me lembrava, que não permitisse que fosse nada daquilo. Que fosse o estafermo da papeira e que ficasse por aqui que já nos chegava. E agarrava-me a ela. Uma e outra vez.
Hoje a médica estava à nossa espera na urgência. Com a médica a quem já deveria ter passado o turno. Olhou para a minha cara e disse-me: "Mãe, não deve ter dormido muito!" Respondi-lhe que não, não tinha dormido, sem conseguir sorrir. Disse-lhe que estava muito assustada e ela disse-me que nem devia ter dito que tinha dúvidas e que ainda bem que não nos tinha revelado a dúvida. O pai, irónico, respondeu: "Adiantou muito..."
Disse-lhe que o google era meu amigo e ela riu-se dizendo-me novamente para ter calma. E percebi que ela tinha percebido que eu sabia do que desconfiava ela.
Assim que olhou para a Maria riu-se. E senti-lhe alívio no olhar. Repetiu depois de lhe ver a garganta e o papo próximo do maxilar já ruborizado: "calma mãe! isto ontem estava diferente e isto vai ser de caras uma parotidite!" E por momento, eu desejei com força, muita força que a minha filha tivesse papeira. Coisa estranha, pensei segundos depois, afinal é uma doença chata e que até pode trazer algumas complicações.
Lá fomos fazer a ecografia. E aqueles minutos com ecografo para a frente e para trás e eu sem conseguir ler o que pensava o médico... zero...  Até que parou e me disse: "Eu sei que estava nervosa, mas pode respirar de alívio. É uma paritodite do lado esquerdo, tendo os ganglios muito aumentados mas são reactivos, isto é, estão assim por estarem a regir a uma infecção. Não há qualquer nódulo, nem qualquer massa". E ele deve ter ouvido o meu suspiro. E viu o abraço apertadinho que dei à catraia, enquanto lhe dizia que estava tudo bem. Ela reclamava que ainda tinha gel por todo o lado e para não a apertar que lhe doia. Eu ri-me. E senti um alívio que só quem passa por um momento assim pode sentir.
Ninguém me avisou que ser mãe (também) era isto. Não conseguir descansar nunca. Sentir que não controlamos a vida dos nossos filhos. Sentirmo-nos impotentes e aos pedacinhos por suspeitar que algo de grave se passa com as nossas crias. Ter filhos doentes é uma merda. Uma grande merda.
Agora venham as férias na próxima semana, o Natal e o descanso de que tanto precisamos. E que o estafermo da papeira se vá tão rápido como surgiu. 
 
 

11/11/13

5 anos

Dia 8, foi dia de festa. E se tivesse que escolher uma só palavra para te definir seria esta. Festa.
Adoras festa. Fazes a festa. És boa a dar festas. O nosso verão foi uma "festa".
O teu verbo preferido é o verbo ir. Estás sempre prontinha para pegar na mochila e ir passar um dia ou vários a casa de tios e amigos. É uma festa. E a verdade é que tiveste o dom de transformar a nossa vida numa festa permanente.
Socorri-me do dicionário para encontrar a definição de festa e diria que à excepção do sentido religioso da coisa, já que não és santa nenhuma, tudo o resto te assenta como uma luva.
 
"substantivo feminino

Reunião em que regozijo.

2. Dia de comemoração.

3. [Religião]   [Religião]  Dia santificado; função religiosa com que se celebra um dia santificado.

4. [Figurado]   [Figurado]  Alegria, regozijo.

5. [Informal]   [Informal]  Gesto ou demonstração de um sentimento de ternura ou de afecto. = AFAGO, CARÍCIA, CARINHO, MIMO

6. Bom acolhimento.

7. Trabalheira, cuidados.



"festa", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/festa [consultado em 11-11-2013].
substantivo feminino

1. Reunião em que regozijo.

2. Dia de comemoração.

3. [Religião]   [Religião]  Dia santificado; função religiosa com que se celebra um dia santificado.

4. [Figurado]   [Figurado]  Alegria, regozijo.

5. [Informal]   [Informal]  Gesto ou demonstração de um sentimento de ternura ou de afecto. = AFAGO, CARÍCIA, CARINHO, MIMO

6. Bom acolhimento.

7. Trabalheira, cuidados.



"festa", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/festa [consultado em 11-11-2013].
substantivo feminino

1. Reunião em que regozijo.

2. Dia de comemoração.

3. [Religião]   [Religião]  Dia santificado; função religiosa com que se celebra um dia santificado.

4. [Figurado]   [Figurado]  Alegria, regozijo.

5. [Informal]   [Informal]  Gesto ou demonstração de um sentimento de ternura ou de afecto. = AFAGO, CARÍCIA, CARINHO, MIMO

6. Bom acolhimento.

7. Trabalheira, cuidados.



"festa", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/festa [consultado em 11-11-2013].
1. Reunião em que há regozijo
2. Dia de comemoração
3. (religião) Dia santificado; função religiosa com que se celebra um dia santificado" 
[Religião]  Dia santificado; função religiosa com que se celebra um dia santificado.

"festa", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/festa [consultado em 11-11-2013].

4. (figurado) Alegria, regozijo
5. (informal) Gesto ou demonstração de um sentimento de ternura ou de afecto
6. Bom acolhimento
7. Trabalheira, cuidados"
 
Por seres como és. Por termos a sorte de seres nossa filha. Parabéns princesa pelos teus 5 anos maravilhosos

01/11/13

quem tem um nariz tem tudo

 - Papá quantos anos tens?
 - Tenho muitoooos filhota!
Ela de nariz de cão no ar a cheirá-lo.
 - O que estás a fazer Maria?
 - Estou a ver se cheiras a velho!

31/10/13

Maria e a esponja

A propósito da professora de ginástica deste ano ser namorado do professor de ginástica do ano passado.
"Sabes mãe, não percebi nada do que o Professor Nando me disse, porque antes dizia que ela era namorada, agora diz que é esponja porque casaram!"

28/10/13

pois claro

6ª feira à noite. Eu a correr a preparar uma encomenda grande by feito cá em casa para entregar sábado na hora de almoço. Pizza no forno e 15 minutos para jantar. Ela senta-se à mesa e diz que quer ver desenhos no computador. Pergunto o que quer ver. Responde e pede-me para cortar uma fatia de pizza aos pedacinhos que assim arrefecia mais rápido.
Resmungo que só posso fazer uma coisa de cada vez. Ou corto a pizza ou procuro no youtube os 3 porquinhos.
"Ai sim?!? Mas tu tens dois bracinhos!"

14/10/13

e tu cresces

sabendo que é apenas mais um lugar comum, este é o nosso lugar comum. Estás crescida princesa...
Do alto do teu metro e doze, vês hoje o mundo de outra forma. Já percebes o mundo embora ainda o vejas desfocado (ou será mais nítido) como só os olhos de uma criança conseguem ver.
Tudo o que parece complicado é para ti simples, simples. E aprendo tanto contigo a cada dia... Diria mesmo que aprendo muito mais contigo do que aquilo que te consigo ensinar. Trouxeste-me a mim outra forma de olhar para a vida. Ajudas-me sempre a distinguir o que importa e o que não tem importância nenhuma.
És uma menina doce. Mimada também. Despachada. Determinada. Algo insegura (embora disfarces tão bem as tuas inseguranças que só quem te conhece tão bem, consegue perceber). Faladora. De resposta sempre pronta. De sorriso fácil.
És gira. Adoro perder-me nos teus caracóis dourados e nos teus olhos cor de burro quando foge (mudem de cor como dizias ainda não há muito tempo). És curiosa. Interessada. Adoras animais. Não ligas muito a brinquedos. Amas papeis e lápis e canetas. E puzzles. Tens uma imaginação prodigiosa. E cada vez mais jeito para desenhar. Conheces grande parte das letras. Sabes escrever o teu nome, o meu, o do papá. Pedes muitas vezes que escrevamos numa folha uma ou outra palavra para que a possas copiar. Gostas de sol. Gostas de praia (quem te pode condenar). Mas com o mesmo sorriso encaras um dia de chuva, porque te trás as poças em que gostas de saltar (eu não digo que aprendo todos os dias contigo?). És apaixonada pela vida. És resistente. Dura. Gostas de tostas mistas. Adoras fruta. Gostas de brincar ao faz de conta. És a minha companheira. A minha compincha para tudo, excepto para ir ao shopping às compras. A não ser que inclua brinquedos, é programa de que não gostas. Tenho contigo uma cumplicidade sem par. Percebo-te só de olhar para ti. E tu percebes-me da mesma forma (o que nem sempre é bom, porque a minha lente do mundo, já não é como a tua).
És responsável. Corajosa. És muito menina. Não viras a cara à luta. És fofinha. Observadora. Atenta. És malandra. Tens um sentido de oportunidade refinado e cada vez mais apurado.
Tens memória de elefante. És trapalhona e tantas vezes desastrada. Cais muitas vezes. Vais contra os móveis. Adoras saltar em cima da cama. E andar pela rua sem calcar os riscos pretos ou andar pela nossa garagem sempre por cima do risco amarelo. Gostas de andar de baloiço a grande velocidade. Gostas de escorregas mas no parque infantil tudo o que sirva para trepares está no topo das tuas preferências.
És bem disposta. Risonha. Adoras fazer os outros rir.
Não és esquesita a comer. Adoras sopa de bróculos e de alho francês. Preferes peixe a carne. Comes feijoada feita pela avo. Gostas de bacalhau com natas. Comes iogurtes, mas preferes de longe leite simples. Não gostas de leite com chocolate. Aliás chocolate só o ovo kinder e mesmo esse tens que estar para aí virada.
És independente. Adoras passeio. Ver-te feliz é deixar-te dormir em casa dos avós, dos tios, dos amigos.
Gostas de ver fotografias de quando eras bebé. Fazes muitas perguntas. E não te contentas com uma resposta qualquer.
Dás pulos de alegria genuina quando ao chegar a casa vês que as sementes de salsa que plantaste na floreira da cozinha estão a crescer. Ensinas-me que as pequenas conquistas nos dão motivos para sermos felizes.
Gostas de cozinhar. De misturar farinha com ovos e açúcar, meter tudo numa forma e esperar que dali saia um bolo.
Sozinha já fizeste em casa da avó um bolo de iogurte. E todos comeram para teu orgulho.
És única. Nossa. E como tão bem dizes sempre que vês um M, se é M é de Maria. E assim é na nossa vida.

04/10/13

a quase 1 mês dos 5 as perguntas são (ainda mais) complicadas

Ontem ao fazer o caminho de casa dos meus pais para nossa casa, passamos, como passamos sempre, em frente a um cemitério.
 - "Mãe que terra é aquela?"
 - (humpf...)... "Chama-se cemitério princesa e é o sítio para onde vão os corpos das pessoas quando morrem, porque as almas que é o que mais importante temos cá dentro, vão para o céu e transformam-se em estrelinhas..."
 - "Mãe, quer dizer que todas as pessoas vão morrer? Mãe, eu não quero morrer. Não quero que vocês morram, não quero que a avó morra. Não quero que morra a Teresinha nem a Marta da minha escola.... "(isto já vai não vai para começar a chorar)
- "Filha não te preocupes com isso que só morremos todos quando já formos muito, muito velhinhos..."
- "Mas mãe e depois quem fica nesta terra se morrermos todos? E quem escolhe o dia em que nós morremos?"
(Óh que caraças que já estava com um nó na garganta com esta conversa) 
- "Filha quem escolhe o dia é Jesus e ele gosta muito de nós, por isso não tens que te preocupar....
- "Mas mãe e se ele escolher que eu tenho que morrer? "(lágrimas, muitas lágrimas... as dela visíveis, as minhas engolidas como podia)
E pronto, tive que inventar e desanuviar e respondi-lhe como me veio à cabeça:
 - "Filha ele não faria isso, que não se queria habilitar a que a mamã e o papá lhe dessem uma tareia... Sabes é que ele já é velhinho, por isso se se metesse connosco estava tramado..."
 Ela já a rir:
- "Mamã se Jesus é velhinho então anda de bengala e assim (e curva-se para a frente)... Já percebi... Afinal não tenho medo. Mas sabes mamã se um dia formos estrelinhas quero que sejamos uma família de estrelinhas no céu para estarmos sempre juntos. Achas que lá há coisas para brincar?..."
 

02/10/13

by Maria - age 4 (só porque a Mariana pediu)

E porque achou que conseguia fazer ela própria um trocadilho do género dos que o padrinho lhe ensinou e que não se cansa de repetir...
 
Mãe, sabes o que diz uma cenoura para outra cenoura? Tu cenouras-me
 
E risse como se não houvesse amanhã assim que termina de dizer a graçola, o que faz com que me ria também da tontice. Resultado, repete a toda a gente, convencida que tem piada.

by Maria - age 4

Mãe, sabes o que diz um tubarão para outro tubarão? Tu baralhas-me!

30/09/13

um aumento? really?

Apesar de ser 2ª feira, o tempo estar escuro e estar com imensar dores de cabeça, acabo de descobrir que fui "aumentada". Passei a receber diuturnidades aqui na empresa por estar cá há 3 anos. E estes eurinhos extra dão para pagar o seguro de saúde da Maria todos os meses :)
Já no mês passado descobri (estava de pseudo-férias com a Maria no hospital quando foi comunicado) que fomos aumentados. Verdade que foi um aumento de 1.5% mas como em Janeiro nos informaram que este ano não haveria aumentos, foi uma agradável surpresa.